Universidade federal do rio grande do sul faculdade de educaçÃo curso de licenciatura em pedagogia a distância pead veridiana dos Santos família e aprendizagem



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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL

FACULDADE DE EDUCAÇÃO

CURSO DE LICENCIATURA EM PEDAGOGIA A DISTÂNCIA - PEAD
Veridiana dos Santos

FAMÍLIA E APRENDIZAGEM: a influência da família no processo de aprendizagem das crianças

Porto Alegre 2010

Veridiana dos Santos

FAMÍLIA E APRENDIZAGEM: a influência da família no processo de aprendizagem das crianças

Trabalho de Conclusão de Curso, apresentado como requisito parcial para a obtenção do grau de Licenciado em Pedagogia pela Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul – FACED/UFRGS



.

Professor orientador:

Prof. Dr. Jaime José Zitkoski

Tutor:

Gerson Luiz Millan.

Porto Alegre, 2010

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL



Reitor : Prof. Carlos Alexandre Netto

Vice-Reitor: Prof. Rui Vicente Oppermann

Pró-reitora de Graduação: Profª Valquiria Link Bassani

Diretor da Faculdade de Educação: Prof. Johannes Doll

Coordenadoras do Curso de Graduação em Pedagogia – Licenciatura na modalidade a distância/PEAD: Profas. Rosane Aragón de Nevado e Marie Jane Soares Carvalho

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL

FACULDADE DE EDUCAÇÃO

CURSO DE LICENCIATURA EM PEDAGOGIA À DISTÂNCIA
FOLHA DE APROVAÇÃO

Aluna: Veridiana dos Santos

Título: FAMÍLIA E APRENDIZAGEM: a influência da família no processo de aprendizagem das crianças.

Trabalho de Conclusão apresentado ao Curso de Licenciatura em Pedagogia a distância da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) como requisito parcial para obtenção do título de Licenciatura em Pedagogia.



Aprovado em: _____/_____/_____

AGRADECIMENTOS

Em primeiro lugar, agradeço a Deus que me deu força para lutar e seguir em frente em meu caminho, que por muitas vezes fui tentada em me desviar dele.

Agradeço a todos os professores que fizeram parte desta caminhada, pelos ensinamentos que tive, pois tenho certeza que estou mais preparada hoje, devido ao empenho destes, em trazer o novo e uma nova forma de ensinar.

Agradeço a algumas pessoas em especial, que marcaram realmente minha vida neste curso. Estas pessoas além de estarem ao meu lado nas horas mais precisas, nunca deixaram de acreditar no meu potencial, ou me fizeram desistir. Por muitas vezes, senti-me abandonando o curso, mas estas pessoas me chamavam para seguir. Estas pessoas são: Tutora Celi que iniciou os trabalhos comigo, auxiliando-me em todas as horas, professor Gerson Millan que me acompanhou em boa parte do curso, sempre com palavras de fé e sabedoria e que de maneira firme mostrou os passos para fazer um bom trabalho, o professor Crediné que sempre com graça encontra o melhor caminho para nossos problemas, a Tutora Melissa que me ajudou muito com as tecnologias e ao professor Jaime que compreende e oportuniza ao seu aluno reconhecer-se como infinito aprendiz na busca do saber ensinar.

Agradeço também a minha família que esteve ao meu lado em todos os momentos, acreditando na minha capacidade em vencer mais este desafio.

E agradeço a UFRGS, pela oportunidade de oferecer este curso e oportunizar a mim e as minhas colegas, alcançarem o nível superior de ensino, com qualidade e renome.





É preciso força para sonhar e perceber

que a estrada vai além do que se vê.” (MARCELO CAMELO)



RESUMO

O presente trabalho de conclusão de curso pretende mostrar a importância da participação da família na vida escolar da criança, independentemente de sua idade ou classe social. Para tanto, conta com aportes teóricos de Paulo Freire, Piaget, Tânia Zaguri, entre outros, que contribuíram para qualificar o trabalho. O trabalho esta organizado da seguinte forma: no primeiro capítulo faz um referencial do que é família e de seu papel político na sociedade, destacando formas de valorização da auto-estima da criança no período de introdução ao ambiente escolar. O segundo capítulo faz referencia ao desempenho dos pais e suas atitudes ao sucesso ou fracasso escolar. O terceiro capítulo traz informações coletadas em pesquisa, sobre a realidade escolar na visão dos pais, ou seja, de que forma veem a escola e o que esperam dela. No último capítulo apresenta a proposta de união entre família e escola, visando um único objetivo: uma aprendizagem satisfatória e significativa para os filhos.



Palavras-chaves: Educação. Família. Aprendizagem. Escola. Autoestima. Participação.

ABSTRACT

This work of completion to show the importance of family participation in school life of children, regardless of their age or social class. For both, has theoretical support of Paulo Freire, Piaget, Tania Zaguri, among others, who contributed the work to qualify. The paper is organized as follows: the first chapter is a reference of what is family and his political role in society, emphasizing ways of valuing self-esteem of children during the introduction to the school environment. The second chapter makes reference to the performance of parents and their attitudes to success or failure in school. The third chapter covers information collected in research on the school reality from the perspective of parents, or how they see the school and what they expect of her. The last chapter presents the proposed union between families and schools, aimed at one goal: a satisfying and meaningful learning for children.



Keywords: Education. Family Learning. School. Self-esteem. Participation


SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO.......................................................................................................10

2 O VALOR DA AUTOESTIMA E DO APOIO FAMILIAR NA EDUCAÇÃO ESCOLAR..................................................................................................................14

2.1 O que é família e qual o seu papel na educação: ...........................................14

2.2 Identificando o papel da família na Legislação Brasileira..............................15

2.3 O incentivo como garantia de aprendizagem..................................................16

2.4 O que é aprendizagem.......................................................................................18

2.5 O aspecto emocional como base do sucesso escolar...................................20

3 BONS PAIS E BONS FILHOS..............................................................................22

3.1 O exemplo como referência..............................................................................22

3.2 O fracasso escolar: quando a família prejudica..............................................23

3.3 Como a família pode contribuir para a aprendizagem....................................26

4 O QUE OS PAIS PENSAM SOBRE A APRENDIZAGEM....................................29

4.1 A visão dos pais na relação família /escola, com base nas entrevistas.......29

5 PARCERIA FAMÍLIA E ESCOLA: UMA UNIÃO QUE DÁ CERTO.....................35

5.1 Participação efetiva dos pais............................................................................35

5.2 O dever da escola...............................................................................................36

5.3 Unindo objetivos e respeitando resultados.....................................................39

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS:.................................................................................43

REFERÊNCIAS ….....................................................................................................45

ANEXOS....................................................................................................................48

1 INTRODUÇÃO

Alfabetizar nos dias de hoje, tem sido um desafio cada vez maior, pois estamos numa época em que receitas prontas ao servem mais e o dia a dia é que direciona a nossa fundamentação teórica. Diante disso, compreende-se a dimensão da responsabilidade de um professor.

O ambiente familiar não é o único aspecto a influenciar na aprendizagem; é necessário entender que por trás da dificuldade de aprendizagem podem existir vários fatores, podendo ser de origem biológica, emocional ou social. No entanto, a família tem grande influência e pode amenizar ou agravar os sintomas, até mesmo no caso de dificuldades biológicas.

A ambiente familiar ajuda a criança a tornar-se mais esperta. A carência de estímulos cognitivos também no ambiente familiar faz com que ela não se desenvolva tanto quanto as que são estimuladas.

Entre os alunos que demoram mais para aprender, encontram-se famílias mais ausentes, onde não existe um diálogo, onde não existe uma participação ou interesse pela vida escolar da criança. São famílias que raramente aparecem na escola, nem para buscar as avaliações dos filhos. Algumas famílias porem, vendo que seus filhos não aprendem, pois apresentam dificuldade, ficam ansiosos a acabam prejudicando mais o processo, fazendo cobranças, demonstrando impaciência ou colocando toda a culpa na escola.

As crianças que aprendem com mais facilidade são aquelas que têm pelo menos um membro da família que investe nelas. Em alguns casos, nem são os pais, mas um irmão ou irmã ou outra pessoa que mora na casa e que, mesmo com um grau de escolaridade baixo, demonstra interesse pelas atividades da criança. Percebe-se, nestas crianças, mais desejo de aprender e mais coragem autoconfiança. Assim, por exemplo, a colaboração dos pais nas lições de casa faz com que a criança sinta-se motivada, segura e, consequentemente, aprenda com mais facilidade.

Desde que nasce a criança recebe estímulos da mãe e é envolvida por diversas informações, que a faz criar um contato com o mundo e com o meio onde está inserida. Estes estímulos devem ter uma continuidade durante os primeiros anos de vida e principalmente quando a criança entra em contato com o ambiente escolar. O seu desenvolvimento cognitivo e seqüencial, caminha de estruturas mais simples para estruturas mais complexas.

A família é essencial para que a criança ganhe confiança, para que se sinta valorizada, para que se sinta assistida.

A alfabetização tem que ser acompanhada pela família. Os primeiros escritos, o incentivo à leitura, os brinquedos pedagógicos. Como é bom para o filho poder mostrar suas prodigiosas conquistas aos pais. E como é triste para o filho quando ele não encontra a devida atenção. O pai chega cansado e que ver televisão, quer navegar na internet, quer ler, e a criança quer mostrar seu desenho sua lição de casa. São universos distintos, e o lado maduro e experiente deve dar atenção ao lado que ainda está no início do processo de desenvolvimento.

Qualquer projeto institucional sério depende da participação familiar: em alguns momentos apenas do incentivo; em outros, de uma participação efetiva no aprendizado, ao pesquisar, ao discutir, ao valorizar a preocupação que o filho traz da escola.

Tanto o êxito quanto o fracasso escolar começam em casa, pois é na família que o aluno encontra suas motivações, é lá que se constrói o desejo de aprender e a autoconfiança.

Nos dias atuais, os alunos estão carentes, pois seus pais trabalham o dia todo, e o tempo que ainda resta com os pais antes de ir para a cama, é precioso. E é esta falta de tempo dos pais para os pequenos ensinamentos com os filhos, que remete a escola cumprir com mais esta tarefa.

Mas família como instituição, não pode ignorar a sua responsabilidade na construção dos valores, dos deveres, dos bens comuns, dos pequenos ensinamentos do dia a dia, como por exemplo, sentar à mesa com todos reunidos. A falta de investimento neste tempo tão precioso por uma vida mais prática e rápida torna todo o resto sem sentido, também rápido e em significado. Por isso hoje nos deparamos com famílias desestruturadas, sem moral, sem princípios, sem valores, sem a base dos mandamentos construídos pela família.

Parece que tudo ficou para e escola ensinar. A preparação para a vida, a formação da pessoa, a construção do ser, são responsabilidades da família.

A família tem a responsabilidade de formar o caráter, de educar para os desafios da vida, de perpetuar valores éticos e morais. Por melhor que seja uma escola, por mais bem preparada que estejam seus professores, nunca vai suprir a carência deixada por ma família ausente. (CHALITA, pág. 17, 2001)

As famílias estão mais instáveis, delegando à escola maiores responsabilidades, sem a presença da mãe no lar, o que há poucas décadas ainda era exceção.

Hoje, o resgate de valores está a cargo da escola também. Temos muitos concorrentes que disputam a atenção de mentes menos críticas e mais facilmente induzidas, sem contar o abandono, desleixo, descaso, desamor, e tantos outros “dês” a que nossos alunos são submetidos.

Até que ponto a família tem influência sobre o aprendizado? Por que algumas crianças chegam à escola com uma bagagem de conhecimento bem maior que outras? A família auxilia no processo alfabetização?

Neste contexto o trabalho esta organizado em quatro capítulos, onde o capítulo um apresenta uma significação da família e seu papel perante a sociedade, nos deveres regidos por lei que garantem a educação dos filhos e o cumprimento destes deveres no dia a dia escolar. A família tem o compromisso de garantir o desenvolvimento pleno da criança em sua inserção no ambiente escolar.

Destaca que a aprendizagem é individual, mas se dá na relação. Então, apesar de significada familiarmente, depende, de uma apropriação individual em que se articulam construtivamente o organismo, a inteligência, o corpo e o desejo.

E assegura que para que a aprendizagem seja significativa, é preciso que a criança desenvolva seu aspecto emocional, com suporte no incentivo e apoio familiar.

O segundo capítulo destaca a família como base da referência para o incentivo à aprendizagem, ou seja, a criança repete o que vê e o que ouve. A família é modelo para sua busca no aprender. Se o ambiente familiar não ampara, não incentiva a aprendizagem, é carente de estímulos, a família torna-se contribuinte dos problemas de aprendizagem, ou seja, do fracasso escolar.

Mas apresenta ainda que, famílias presentes na vida escolar dos filhos, envolvidas e comprometidas, garantem uma aprendizagem mais sólida e autônoma.

O terceiro capítulo apresenta o modo como os pais encaram a escola, suas expectativas, dificuldades e divergências na relação escolar e o anseio de uma aprendizagem mais qualificada para os filhos, na espera de um futuro promissor.

Destaca relatos de pais entrevistados, justificando a necessidade de uma participação efetiva destes, na vida escolar dos seus filhos.

No quarto capítulo é possível perceber que a união entre a família e a escola, favorecendo um único objetivo que é a aprendizagem da criança, ganha fortes argumentos de que este é o caminho certo. Por mais que muitas escolas já tenham tomado a iniciativa junto aos pais, esta é uma realidade ainda distante para muitas outras escolas.

A escola e a família precisam assumir seus papéis, estando em uma mesma sintonia, para que ocorram aprendizagens sólidas e um desenvolvimento humano em todas as suas dimensões.

2 O VALOR DA AUTOESTIMA E DO APOIO FAMILIAR NA EDUCAÇÃO ESCOLAR

A abordagem a esse tema se faz necessária para que se possa compreender a importância dos fatores motivacionais para o processo de ensino aprendizagem dentro do contexto educacional. Desta maneira, a motivação colabora para que o aluno se dedique a alcançar a meta desejada, ou seja, o ajuda a buscar a realização de seus objetivos.

O contexto familiar desempenha um dos contextos mais importantes nos primeiros anos de vida da criança. Os alunos mostram-se bem mais interessados quando percebem que são valorizados e recebem apoio da família para seguirem firmes em seus objetivos, pois reconhecem que o incentivo, o amor, a amizade e a motivação contribuem para o desenvolvimento e crescimento escolar.

2.1 O que é família e qual o seu papel na educação.

“A família é um sistema autocorretivo, auto governado por regras que se constituem no tempo através de ensaios e erros.” (PALAZZOLI)

Segundo Kaloustian (1988), a família é o lugar indispensável para a garantia da sobrevivência e da proteção integral dos filhos e demais membros, independentemente do arranjo familiar ou da forma como vêm se estruturando. É a família que propicia os aportes afetivos e, sobretudo materiais necessários ao desenvolvimento e bem-estar dos seus componentes.

Gokhale (1980) acrescenta que a família não é somente o berço da cultura e a base da sociedade futura, mas é também o centro da vida social. A educação, bem sucedida da criança na família é que vai servir de apoio à sua criatividade e ao seu comportamento produtivo quando for adulto.

Uma das mudanças mais significativas é a forma como a família atualmente se encontra estruturada. Aquela família tradicional, constituída de pai, mãe e filhos tornaram-se uma raridade. Atualmente, existem famílias dentro de famílias. Com as separações e os novos casamentos, aquele núcleo familiar mais tradicional tem dado lugar a diferentes famílias vivendo sob o mesmo teto. Esses novos contextos familiares geram, muitas vezes, uma sensação de insegurança e até mesmo de abandono, pois a ideia de um pai e de uma mãe cuidadores dá lugar a diferentes pais e mães “gerenciadores” de filhos que nem sempre são seus.

Além disso, essa mesma sociedade tem exigido, por diferentes motivos, que pais e mães assumam posições cada vez mais competitivas no mercado de trabalho. Então, enquanto que, antigamente, as funções exercidas dentro da família eram bem definidas, hoje pai e mãe, além de assumirem diferentes papéis, conforme as circunstâncias saem todos os dias para suas atividades profissionais. Assim, observa-se que, em muitos casos, crianças e adolescentes acabam ficando aos cuidados de parentes (avós, tios), estranhos (empregados) ou das chamadas babás eletrônicas, como a TV e a Internet, vendo seus pais somente à noite.

Toda essa situação acaba gerando uma série de sentimentos conflitantes, não só entre pais e filhos, mas também entre os próprios pais. E um dos sentimentos mais comuns entre estes é o de culpa. É ela que, na maioria das vezes, impede um pai ou uma mãe de dizer não às exigências de seus filhos. É ela que faz um pai dar a seu filho tudo o que ele deseja, pensando que assim poderá compensar a sua ausência. É a culpa que faz uma mãe não avaliar corretamente as atitudes de seu filho, pois isso poderá significar que ela não esteve suficientemente presente para corrigi-las.

2.2 Identificando o papel da família na Legislação Brasileira.

O dever da família com o processo da escolaridade e a importância da sua presença no contexto escolar é publicamente reconhecido na legislação nacional e nas diretrizes do Ministério da Educação aprovadas no decorrer dos anos 90, tais como: Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei 8069/90), nos artigos 4º e 55; Política Nacional de Educação Especial, que adota como umas de suas diretrizes gerais: adotar mecanismos que oportunizem a participação efetiva da família no desenvolvimento global do aluno. Lei de Diretrizes e Bases da Educação (Lei 9394/96), artigo 1º, 2º, 6º e 12; Plano Nacional de Educação (aprovado pela lei nº 10172/2007), que define como uma de suas diretrizes a implantação de conselhos escolares e outras formas de participação da comunidade escolar (composta também pela família) e local na melhoria do funcionamento das instituições de educação e no enriquecimento das oportunidades educativas e dos recursos pedagógicos. Ou seja, é exigível, não só da família, mas também da sociedade e do Estado, o dever de assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e a convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.

A família deve acolher a criança, oferecendo-lhe um ambiente estável e amoroso. Muitas, infelizmente não conseguem manter um relacionamento harmonioso.

O desafio que está posto nesta sociedade é o de aproximar a realidade das garantias previstas em lei, visto que a distância entre lei e realidade é a grande dificuldade de efetivação dos direitos humanos em nosso país.

Dessa forma, compreendemos que o compromisso de promover o desenvolvimento pleno da criança, adolescentes e jovens é de todos e todas.

2.3 O incentivo como garantia de aprendizagem.

Ir a escola é o momento de inserção da criança e dos pais no mundo social, sem poderem se esconder. Ou seja, a criança não tem como evitar a solidão, o medo, o desconhecido. Isso vai ocorrer, é inevitável e será a primeira vez a criança terá que contar com seus próprios instrumentos ou terá que aprender a pedir ajuda a pessoas estranhas, que não tem garantia de serem confiáveis. Se ela aprender a confiar em si e confiar nos outros( e aí a tarefa dos pais desencadearem isso é definidor!) levará essa aprendizagem para todos os setores futuros de sua vida. Para os pais é o momento de mostrar o que fizeram com seu filho e aguardar a avaliação e o veredicto do social. Não tem como evitar isso. É claro que podem inventar álibis e história, mas dentro de si a maioria dos pais, sabe que através do comportamento e da competência dos seus filhos na escola eles estarão sendo julgados. E isso é difícil, pois traz à tona todas as inseguranças, culpas, dúvidas e angústias.

De acordo com Tânia Zaguri (2003), o ser humano, por natureza, tem o desejo de sentir-se amado, aprovado, elogiado. Portanto, temos de aproveitar esse aspecto em prol da boa formação de nossas crianças. Quando o elogio vem da mamãe ou do papai então... aí mesmo é que elas dão maior valor.

A autoestima começa a ser formada muito cedo, e cabe aos pais auxiliarem nesta formação, com amor, respeito, confiança, limites segurança, e tantos outros valores que norteiam a educação. Um indivíduo com baixa autoestima tem possibilidades de apresentar problemas como depressão e insucesso nos estudos e, mais tarde, na vida profissional.

A influência dos pais não se dá no nível intelectual, isto é, não é porque os pais são estudados e podem ajudar o filho a fazer seus deveres escolares que o desempenho da criança melhora. Nada disso. A ajuda dos pais é decisiva no aspecto emocional. O carinho com que eles cuidam do filho, o interesse sincero que demonstram com seu progresso escolar, o esforço que fazem para garantir boas condições de estudo em casa — tudo isso aumenta a autoestima da criança e faz com que ela se interesse mais em aprender, em levar a sério a escola.

A autoestima norteia os interesses do aluno. É ela que fundamenta novas investidas em si mesmo ou não. Segundo Tânia Zaguri (2003), a autoestima (autoimagem ou amor próprio) é a forma pela qual o indivíduo percebe seu próprio eu. É o sentimento de aceitação ou de rejeição da sua maneira de ser. Se a pessoa se vê de forma positiva, valorizando suas características, ela tem autoestima elevada ou positiva. Se ao contrário, ela não se aceita ou se desvaloriza, isto é, se há inconformidade consigo mesma, ela apresenta baixa autoestima ou autoestima negativa.

É importante para os alunos conhecerem suas possibilidades e aceitarem suas limitações, gostando do que fazem e não fazendo comparações com os demais alunos. Se o aluno apresenta confiança e segurança no que faz e recebe apoio de seus familiares pelo seu desempenho, seu rendimento é muito maior do que o daquele aluno que apresenta insegurança e necessita agradar aos pais.

A autoestima é fundamental para o sucesso do indivíduo, pois quando a criança é amada. Desejada, estimulada pela família, ela a desenvolve positivamente, o que facilitará a sua aprendizagem.

A nova lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional - LDB, a Lei 9.394, promulgada em 1996, trouxe para os meios acadêmicos a chamada Agapedia, isto é, a pedagogia do amor. É a LDB que ampara e nos oferece os dois mais importantes princípios desta pedagogia: o respeito à liberdade e o apreço à tolerância. Ambas, tem por fim o pleno desenvolvimento do educando, tendo como princípios básicos a liberdade e solidariedade humana, seu preparo para o exercício da cidadania ativa e sua qualificação para o mundo do trabalho.

Somente é possível desenvolver aprendizagem com autonomia na aquisição de conhecimentos e na formação de valores e atitudes, se elevarmos a autoestima do aluno, que deixa de ser um ouvinte, passando a ser sujeito em suas ações, não somente na escola, mas em todos os aspectos de sua vida.

Piaget fala da ligação entre a afetividade e a inteligência (1971, p. 190): “Tanto no agir como no conhecer a inteligência e a afetividade são inseparáveis. Todo ato intelectual vem ligado a algum sentimento ou interesse. De outra parte, cada disposição de sentimento, cada sensação, cada interesse, cada emoção encerra uma estrutura e com isso o vestígio de uma elaboração intelectual.”

Portanto o aluno necessita estar bem emocionalmente, com autoestima elevada, para desenvolver-se plenamente. Com este olhar o aluno deve ser desafiado a aprender, aprender a ser, aprender a fazer, aprender a encontrar soluções, aprender a viver coletivamente



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