UtilizaçÃo da fotocatálise heterogênea no tratamento de efluentes industriais



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Encontro20.04.2018
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viabilidade da incorporação do lodo gerado nos decantadores das Estações de tratamento de águas de Campinas em blocos cerâmicos

Patrícia de Souza Andrade1, Dione Mari Morita2, Ricardo de Lima Isaac3

Palavras chave: Estação de Tratamento de Água, Lodos dos decantadores, Blocos Cerâmicos

A disposição dos resíduos do tratamento de água é um problema que tem sido enfatizado nos últimos anos, principalmente, devido à grande quantidade de lodo gerada e à crescente preocupação com a minimização de impactos ambientais e surgimento de leis que restringem e regulamentam as opções de descarte deste resíduo.


Os métodos mais tradicionais de disposição de lodos de estações de tratamento de águas (ETAs) praticados no mundo são:

- lançamento em rios, não indicado devido à escassez de mananciais;

- disposição em aterros, método caro, que requer grandes áreas e pode contribuir para a contaminação do solo e da água subterrânea;

- tratamento em conjunto com esgoto doméstico, que deve ser evitado para não sobrecarregar as estações de tratamento de esgoto.

Em substituição a estes métodos de disposição têm surgido idéias interessantes e viáveis. Em países da Europa, os Estados Unidos e a Austrália, mais engajados na pesquisa destas novas alternativas, foram testadas aplicações do lodo em áreas degradadas e agrícolas e em processos industriais como produção de cimento, alumínio e peças cerâmicas. Com algumas ressalvas, quase todas as experiências mostraram-se viáveis e eficientes. Os maiores problemas encontrados estão associados à presença de material tóxico no resíduo; à não adaptação dos diversos órgãos envolvidos no processo; à problemas com transporte e à dificuldades para adequar o lodo às necessidades do uso que se pretende.

No Brasil, grande parte do lodo gerado ainda é disposta em rios e poucas estações têm se preocupado com o tratamento e disposição deste resíduo. Tem-se conhecimento de algumas experiências na área, realizadas principalmente através de parcerias entre concessionárias e universidades. Entre as pesquisas mais recentes, que obtiveram sucesso, está a experiência, realizada na cidade de São Paulo, que agregou lodo à argila utilizada na fabricação de blocos.

Frente a esta realidade, a concessionária da cidade de Campinas, Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento S.A. (SANASA), aliou-se a UNICAMP (Universidade Estadual de Campinas), criando o Projeto BETA. Este projeto visa estudar alternativas para dispor da melhor forma as 68,3 t/dia de lodo produzidas atualmente pelas ETAs 3 e 4 de Campinas, evitando a disposição em rios ou aterros sanitários e considerando que o processamento do lodo conjuntamente com o esgoto sanitário não é viável.

A indústria cerâmica tem grande capacidade de absorver o lodo da ETA. Estudos da composição química deste resíduo provaram a similaridade deste com a argila normalmente utilizada no processo cerâmico.

De acordo com a Associação Brasileira de Cerâmica, existem 11.000 indústrias produzindo cerâmica vermelha no Brasil, consumindo cerca de 10.500.000 toneladas de argila por mês. Somente na região sudeste, onde se encontra a cidade de Campinas, existem 3.600 indústrias cerâmicas (1.600 de telhas e 2.000 de blocos) que produzem mensalmente cerca de 500.000 telhas e 75.000 blocos.

Conclui-se do exposto que o uso dos lodos das ETAs 3 e 4 na fabricação de materiais cerâmicos e não cerâmicos, utilizados na construção civil, pode ser uma solução para o problema e que portanto, deve ser avaliada a sua viabilidade.

O presente trabalho será desenvolvido com o objetivo de avaliar, em escala real, a viabilidade técnica e ambiental da incorporação do lodo gerado nos decantadores das ETAs 3 e 4 de Campinas em blocos cerâmicos. Neste processo, o lodo será encarado não mais como resíduo, e sim como insumo de um processo industrial. E, portanto, um dos objetivos deste trabalho é justamente criar uma metodologia que capacite os interessados em utilizar resíduos em processos industriais, a verificação de sua adequação à aplicação que se pretende dar.

Atualmente, está sendo realizado um levantamento das características do manancial das ETAs 3 e 4 ao longo dos últimos cinco anos, bem como dos contaminantes dos produtos químicos utilizados nas mesmas. Com estes dados, serão escolhidos os parâmetros a serem determinados no lodo desidratado. Será realizado, também, um ensaio de lixiviação seguindo a norma brasileira, mas substituindo o ácido acético pelo sulfúrico, para avaliar o impacto ambiental devido ao armazenamento do lodo com a argila no pátio da indústria, em condições de chuva ácida.

Durante o processo industrial na Cerâmica CAPUAVA (indústria escolhida para produção dos blocos), serão avaliados possíveis impactos ambientais decorrentes de atividades do processo cerâmico. Serão, portanto, rastreados os possíveis focos de poluição e produção de resíduos. Será avaliado também o destino dos poluentes presentes no lodo desidratado no processo industrial, baseado nas características dos mesmos (emissões atmosféricas, incorporação no bloco, lixiviação no bloco, lixiviação na água, etc.). Seqüencialmente, serão determinadas suas concentrações e comparadas com os padrões de emissão e de qualidade estipuladas pela legislação ambiental.

Serão realizados ainda ensaios de lixiviação e solubilização segundo as normas brasileiras, além da determinação dos teores dos contaminantes nos blocos triturados, a fim de assegurar que o bloco pós-consumo, se disposto num “lixão” ou no solo, não ocasionará impacto ambiental.



1 Mestranda, engenheira civil, DSA/FEC/UNICAMP; pati_andrade@uol.com.br

2 Orientadora, USP; dmmorita@usp.br

3 Co-orientador, DSA/FEC/UNICAMP; isaac@fec.unicamp.br



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