UtilizaçÃo da fotocatálise heterogênea no tratamento de efluentes industriais



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TRATAMENTO TERCIÁRIO DE ESGOTO PARA FINS DE REÚSO URBANO


Mariana de Salles Tosetto1, Prof. Dr. Ricardo de Lima Isaac2

Palavras chave: Reuso de água, tratamento terciário, filtração direta, desinfecção com UV


O reúso da água apresenta-se como uma das alternativas ou parte da solução para enfrentar o crescente problema de disponibilidade de água em quantidade e qualidade necessárias para suprir as demandas das atividades humanas. Segundo ASANO(1), o reúso da água proporciona uma única e viável oportunidade para aumentar as tradicionais fontes para abastecimento de água. O conceito de “substituição de fonte” mostra-se como uma alternativa para atender as demandas menos restritivas, liberando as águas de melhor qualidade para usos mais nobres, como o abastecimento doméstico.

Diversas tecnologias de tratamento terciário de águas residuárias têm sido estudadas com o intuito de adequar a qualidade da água conforme requerem os mais diferentes usos previstos e, assim, amenizar ou até contornar o grave problema da escassez.

O presente projeto de pesquisa visa analisar a eficiência e a viabilidade do tratamento terciário do efluente da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Samambaia, no município de Campinas-SP, para fins de reúso em ambiente urbano, como para irrigação de parques e jardins, limpeza urbana, desobstrução de tubulações de esgotos e drenagem pluvial, lavagem de veículos, combate a incêndio e outros. O tratamento terciário proposto consiste em um tratamento físico-químico e será composto das etapas de coagulação, floculação, filtração direta e desinfecção com radiação ultravioleta.

O estudo experimental contará com duas etapas, a primeira em escala de bancada e a segunda em escala piloto. Na escala de bancada serão realizados ensaios de coagulação química, com aparelho de jarros (Jar-Test), nas amostras do efluente do tratamento secundário, na faixa de pH e dosagem de coagulante em que deve predominar o mecanismo de neutralização de cargas, visando a filtração direta. Serão avaliados dois tipos de coagulantes químicos, o sulfato férrico e o sulfato de alumínio, para a determinação das melhores condições quanto ao valor de pH de coagulação e dosagem de coagulante, que forneçam a melhor remoção de turbidez e cor. A melhor situação encontrada nesta etapa será aplicada na etapa piloto.

O estudo em escala piloto será realizado na unidade piloto montada pela SANASA, na ETE Samambaia. Trata-se de duas unidades em série, cujas características estão apresentadas na Tabela 1, um para pré-floculação (fluxo ascendente) e outro para filtração (descendente), e de um reator de desinfecção por radiação ultravioleta. O coagulante será injetado por bomba dosadora na própria tubulação que alimenta o sistema.

A instalação piloto será operada com taxas de filtração de 120 e 240 m3/m2.dia.



Tabela 1. Características das unidades de filtração



Unidade

Diâmetro (mm)

Material

Tamanho dos grãos (mm)

Tamanho efetivo (mm)

Espessura da camada (cm)

Pré-Floculador

200

brita nº2

25,0 - 12,5

14,0

190

Filtro descendente

200

pedregulho (suporte)

25,4 – 3,2

-

35

areia

1,2 - 0,45

0,5

25

antracito

2,4 – 0,8

0,9 a 1,0

50

Serão analisados os parâmetros de qualidade do efluente na saída do decantador secundário da ETE, na saída do pré-floculador ascendente, na saída do filtro descendente e no efluente final, após a desinfecção com radiação ultravioleta, além das perdas de cargas desenvolvidas nas unidades de filtração no decorrer da operação. Os parâmetros de qualidade que serão analisados são: turbidez, cor, pH, DBO, DQO, série de sólidos, nutrientes (NTK e P), Carbono Orgânico Total (COT), coliformes, Cryptosporidium parvum, Giardia lamblia e ovos de helmintos.

Com base na qualidade obtida quanto aos principais parâmetros, bem como nos critérios, padrões e metas recomendadas na literatura existente, serão identificados os potenciais usos urbanos não potáveis para o efluente tratado em nível terciário pelo sistema proposto.



Referência bibliográfica

(1) ASANO,T. Water from (Waste) water – the dependable water resource, Water Science and Technology, vol. 45, n°8, pp23-33, 2002.



Agradecimentos: FAPESP (bolsa de Mestrado); SANASA.

1 Mestranda, engenheira civil; mtosetto@fec.unicamp.br

2 Orientador, DSA/FEC/UNICAMP; isaac@fec.unicamp.br



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