Vacinas hpv recomendações



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VACINA CONTRA O HPV

REUNIÃO DE CONSENSO NACIONAL
Coimbra, 16 e 17 de Fevereiro de 2007

Organização:

Secção Portuguesa de Ginecologia Oncológica

Secção Portuguesa de Colposcopia e Patologia Cervico-Vulvovaginal

Sociedade Portuguesa de Ginecologia



Participantes:

Alexandre Morgado; Ana Félix; Ana Francisca; António Alves; António Azinhais; António Lagoa; António Tomé; Boaventura Alves; Carlos Coimbra; Carlos Marques; Cláudia Marques; Cristina Frutuoso; Daniel P da Silva; Deolinda Pereira; Dulce Raimundo; Elisabete Castelo Branco; Elsa Abraúl; Eugénia Cruz; Fátima Peralta; Fátima Vaz; Fernando Mota; Filomena Santos; Francisco dos Mártires; Francisco N. Martins; Guy Vieira; Isabel Boto; Isabel Henriques; Isabel Macedo Pinto; Isabel Passos; Isabel Riscado; Isabel Santana; José Furtado; José M. Moutinho; José Manuel Teixeira; José A. Moutinho; José Silva Couto; Luís Sá; Luísa Carvalho; Lurdes Salgado; Manuel Pontes; Margarida Barros; Margarida Borrego; Margarida Roldão; Maria Clara Coelho; Maria José Pires; Mónica Nave; Natália Amaral; Ondina Campos; Paula Alves; Paula Augusto Cavaleiro; Paula Jacinto; Paula Serrano; Paulo Correia; Paulo Ribas; Pedro Vieira de Castro; Rosa Calisto; Teresa Carvalho; Vanda Patrício; Vera Paiva; Vera Tomé; Vítor Baltar.


Redactores:

Almerinda Pereira; Ana Henriques; Ana Matos; Carlos Freire de Oliveira; Daniel P da Silva; Helena Solheiro; Henrique Nabais; Joana Belo; Jorge Borrego; José Martinez de Oliveira; Natália Reis; Paula valente; Rui Medeiros; Serafim Guimarães;




Colaboração:
Sociedade Portuguesa de Pediatria

Associação Portuguesa dos Médicos de Clínica Geral

Sociedade Portuguesa de Papiloma Vírus Humano

Federação das Sociedades Portuguesas de Obstetrícia e Ginecologia
Vacinas HPV – Recomendações

Índice

Quadro resumo das recomendações

1. Introdução

2. Papiloma Virus Humano e carcinogénese

3. Prevalência da infecção pelo HPV e impacto da doença associada

4. Bases imunológicas para a vacinação

5. Características das vacinas HPV

6. Eficácia da vacina

6.1.Vacina quadrivalente

6.2. Vacina bivalente

7. Segurança da vacina

7.1.Vacina quadrivalente

7.2. Vacina bivalente

8. Duração da imunidade

9. Imunidade cruzada

10. Idade de vacinação

11. Impacto da vacina no rastreio do cancro do colo do útero

12. Situações especiais

Gravidez

Imunodeficiência

13. Contra-indicações

14. Implementação da vacina

Vacinação nos rapazes

Educação

Análise custo/ eficácia

Aceitabilidade

Impacto nos comportamentos sexuais

15. Aspectos que necessitam de esclarecimentos suplementares

Bibliografia

Glossário

Quadro resumo das recomendações

Tipos de HPV abrangidos

● Vacina Quadrivalente - 6,11,16 e18 e Vacina Bivalente- 16,18

▪ 16 e 18 genótipos mais frequentes no cancro do colo do útero (70-75%)

▪ 6 e 11 genótipos mais frequentes nos condilomas genitais (~90%) e do tracto respiratório.



População alvo para a vacinação

● Mulheres entre os 9-26 anos.



Oportunidade óptima para a vacinação

● Antes do início da actividade sexual



Idade recomendada para a vacinação

● 11-13 anos.



Idade alternativa para a vacinação

● 9-10 anos de acordo com indicação médica;

●14-26 anos em mulheres que não foram vacinadas ou não terminaram a

vacinação (vacinação de repescagem);

● Actualmente a vacinação não é recomendada para mulheres com mais de

26 anos ou para homens.



Mulheres com CIN

A vacina não está recomendada;

As vacinas não são terapêuticas.


Mulheres tratadas por CIN

As vacinas podem reforçar a imunidade natural, mas desconhece-se o seu benefício potencial.

As vacinas dão protecção contra os genótipos de HPV ainda não adquiridos.


Esquema de vacinação

● Gardasil® 3 doses aos 0,2 e 6 meses

● Vacina bivalente 3 doses aos 0,1 e 6 meses

● 0.5 ml intramuscular

● A quadrivalente pode ser administrada juntamente com a vacina da

hepatite B recombinante



Duração da protecção

● A longevidade da protecção é desconhecida.

● Está comprovada por 4-5 anos, mas os estudos continuam.


Avaliação pré e pós-vacinação

Não estão recomendados quaisquer exames ou testes.



Rastreio de cancro do colo do útero

● O rastreio deve manter-se nas mulheres vacinadas, podendo a citologia ser substituída pelo teste HPV, onde não haja programa de rastreio organizado.



Gravidez e amamentação

● A vacina quadrivalente pode ser dada a mulheres a amamentar

● A vacina não está indicada durante a gravidez

● Se a mulher engravidar no decurso da vacinação deve atrasar a toma da 2ª ou 3ª dose para depois do parto. Esse atraso pode alongar-se até 1 ano sem perda de eficácia da vacina.

● Não foram observados efeitos adversos durante a gravidez, mas os dados são limitados até ao momento.


Doentes Imunodeprimidos

● Vacina pode ser dada mas a resposta imune e a eficácia clínica podem

ser limitadas.


Contraindicações

● História prévia de hipersensibilidade ao alumínio ou outro componente da vacina



Precauções

● História de doença autoimune, como o Lúpus Eritematoso Sistémico ou Artrite Reumatoide



Efeitos adversos

● As vacinas têm um bom perfil de segurança/tolerabilidade.

● As reacções no local da injecção como dor ligeira e eritema são as

perturbações mais frequentes.




1. Introdução

As lesões provocadas pelo papiloma vírus humano (HPV) têm uma incidência muito elevada em todo o mundo.

Assume papel de destaque o cancro invasivo do colo do útero, com particular relevo em Portugal, atendendo à sua elevada frequência (13.5/100.000) e taxa de mortalidade (4.5./100.000)1,2. O aparecimento de vacinas, que têm como objectivo central a prevenção de um cancro, é um desiderato perseguido desde longa data por toda a comunidade científica.

A FDA dos USA aprovou a vacina quadrivalente (VLP do HPV 6,11,16 e 18) (Gardasil® ) em Junho de 2006 e a OMS emitiu recomendações para o seu uso3.

Na Europa a EMEA recomendou o uso da vacina em Julho de 2006 e em Setembro a Comissão Europeia aprovou-a.

O processo para aprovação da vacina bivalente (VLP do HPV 16 e 18) está em curso.

A aprovação de vacinas contra os tipos 16 e 18 do papiloma vírus humano (HPV) que estão envolvidos na génese de 70-75% dos casos de cancro invasivo do colo do útero, uma já no mercado e outra prestes a ser introduzida, torna acessível um meio eficaz de prevenção primária, que pode configurar uma redução significativa deste grave problema de saúde pública no nosso país.

Para se atingir os objectivos pretendidos torna-se indispensável traçar directrizes que optimizem a utilização da vacina e dos custos que lhe são inerentes.


2. Papiloma Virus Humano e carcinogénese

O Papiloma Virus Humano é um vírus de DNA com cerca de 8000 pares de bases e uma cápside viral composta por 2 proteínas L1 e L2. Cerca de 200 genotipos de HPV estão identificados, dos quais cerca de 40 infectam preferencialmente os genitais: vulva, vagina, colo, pénis e áreas perianais 4.

Os vírus infectam as células basais, onde chegam através de microtraumas da mucosa. A infecção pode evoluir de 2 formas: 1. replicação episomal progressiva ao longo das várias camadas do epitélio malpighiano, até que os viriões se libertem na superfície da mucosa pela esfoliação das células escamosas superficiais, infectando as células vizinhas; 2. o genoma viral integra o genoma da célula e os proto-oncogénes ( E6, E7) dão inicio à carcinogénese 5.

A infecção por HPV é muito frequente, mas na maioria dos casos é transitória e auto-limitada. Ao fim de 1 – 2 anos, tem resolução espontânea em 80% dos casos. A infecção torna-se persistente nos restantes 20%, condição predisponente para uma evolução desfavorável. Em 3 a 4 % dos casos evolui para neoplasias intraepiteliais, dos quais 0.7 a 1 % para CIN 2-3 (verdadeira lesão pré-cancerosa) e 0,1% para cancro invasivo, com um tempo de progressão variável, em geral longo, à volta dos15 anos 5,6.

A origem vírica do cancro cervical está solidamente estabelecida. Diversos estudos mostraram que o ADN do HPV pode ser encontrado em 99,7% dos cancros cervicais (escamosos e adenocarcinomas), sendo os tipos 16, 18, 45 e 31 os encontrados com maior frequência4,7. Baseados nestas observações, os HPVs anogenitais foram divididos em dois grupos: - o primeiro associado ao desenvolvimento do cancro genital foi denominado de alto risco (HPV16, 18, 26, 31, 33, 35, 39, 45, 51, 52, 53, 56, 58, 59, 66, 68, 73, 82) e o segundo associado a lesões benignas, com baixo potencial oncogénico, denominado HPVs de baixo risco (HPV6, 11, 40, 42, 43, 44, 54, 61, 72, 81) 4,8.

Há provas evidentes que uma infecção prévia por um HPV de alto risco é um pré-requisito necessário, embora não suficiente, para o desenvolvimento do cancro cervical. Os co-factores desempenham um papel fundamental na evolução da infecção, dos quais se destacam a inflamação crónica; contracepção hormonal; tabagismo; imunodeficiência; infecções por clhamydia, HSV e outras 9,10

Os subtipos de alto risco estão na génese nas lesões pré-malignas (CIN 2-3, AIS, VIN 3 e VaIN 3) , dos carcinomas pavimentosos e adenocarcinomas e os de baixo risco, são responsáveis pelos condilomas e displasias leves.

3. Prevalência da infecção pelo HPV e impacto da doença associada.

A infecção por HPV é, das sexualmente transmissíveis, a mais frequente na actualidade. Cerca de 50% dos casos ocorrem entre os 15-25 anos. A prevalência em mulheres jovens varia entre 27 a 46%11. A probabilidade de uma mulher de 50 anos ser infectada com o HPV, ao longo da sua vida, atinge os 70-80%.12

A prevalência dos diversos genotipos de HPV em infecções mistas não está estabelecida. Alguns autores referem que em 20-30% dos casos há infecção por mais de um tipo12.

A prevalência da infecção por HPV não é conhecida em Portugal.

O CIN 2-3 foi aceite por organismos internacionais credenciados (FDA, OMS, EMEA) como a única lesão verdadeiramente pré-cancerosa, aceitando-o como marcador clínico fiável da eficácia de uma vacina contra o cancro do colo do útero12.

No programa de rastreio da região centro, envolvendo cerca de 360.000 mulheres, as lesões pré-malignas têm as seguintes taxas de prevalência: CIN 2-3 0,5% e carcinoma invasivo 0,07% 13 Em países europeus, com taxas de incidência relativamente elevadas como Portugal, a relação entre CIN2-3 / carcinoma invasivo é de 10 para 1 14.

O cancro do colo do útero tem uma elevada incidência a nível mundial com cerca de 510 000 novos casos e 280 000 mortes/ ano11. É a segunda causa de morte por cancro nas mulheres com menos de 44 anos. Tem particular relevo nos países em vias de desenvolvimento da América do Sul, África e Ásia 11.

No continente europeu, afecta particularmente os países do leste, tendo sido responsável por 33 386 novos casos e 14 638 óbitos, com 10/100 000 de taxa de incidência e 3.4/100 000 de taxa de mortalidade, em 2002. Em Portugal, no mesmo ano, registaram-se 956 novos casos e 378 óbitos, o que correspondeu a uma taxa de incidência de 13.5/100 000 e uma taxa de mortalidade de 4.5/100 000, o valor mais elevado da Europa dos quinze 2.

Outros cancros menos frequentes, estão associados ao HPV: cancro anal, vulvar, vaginal, peniano e nasofaríngeo 15.

Não se conhece a incidência de condilomas na população portuguesa. Alguns estudos dos USA e UK revelam que a sua frequência tem aumentado significativamente na última década, sobretudo nos mais jovens, estimando-se que 1% dos indivíduos com menos de 50 anos tenham sido tratados a condilomas genitais.



4. Bases imunológicas para a vacinação

Na maior parte dos indivíduos a infecção natural por HPV desencadeia forte resposta local da imunidade celular, com erradicação da infecção e protecção significativa (embora não de 100%) contra infecções subsequentes pelo mesmo tipo de HPV. Na maioria dos indivíduos infectados, são produzidos anticorpos (imunidade humoral) contra as proteínas L1 da cápside viral. Os anticorpos L1 produzidos em resposta à infecção natural aparecem tardiamente e têm concentrações baixas, porque a infecção não provoca virémia, nem inflamação local e as partículas virais espalham-se nas superfícies mucosas com pobre exposição às células apresentadoras de antigénio 16,17.


5. Características das vacinas HPV

As duas vacinas são geradas por tecnologias recombinantes e são compostas por partículas semelhantes aos vírus (VLP)18. As VLPs são produzidas clonando os principais genes da cápside viral (L1) de diferentes tipos de HPV e inseridas em vectores (baculovirus – vacina bivalente e levedura – vacina quadrivalente). Estas VLP têm grande semelhança com os viriões do HPV, não contêm material genético, pelo que não são infecciosas, nem oncogénicas. Induzem níveis elevados de anticorpos neutralizantes quando administradas por via intramuscular, com rápido acesso das VLP’s aos vasos sanguíneos e gânglios linfáticos. São, por outro lado, potentes activadoras das células apresentadoras de antigénio. As VLPs purificadas são misturadas com o adjuvante Hidróxido de alumínio + MPL monofosforil lípido A (ASO4) na vacina bivalente e com o amorfo de sulfato de hidroxifosfato de alumínio (AAHS) na vacina quadrivalente. 19


6. Eficácia da vacina

As duas vacinas diferem na concepção e nos objectivos profilácticos:



6.1. Vacina quadrivalente - Gardasil® (já aprovada e comercializada) - contém VLPs dos HPV 16, 18, 6 e 11.

O esquema de vacinação utilizado foi 1 dose intramuscular aos 0, 2 e 6 meses.

O programa de estudo da Gardasil® incluiu cerca de 27 000 voluntários (adolescentes dos 9 aos 15 anos e mulheres dos 16 aos 26 anos) recrutados em 33 países de todos os continentes. 13,20-23

Os ensaios clínicos de Fase III randomizados e em dupla ocultação, realizados com a vacina quadrivalente para avaliação de eficácia, envolveram cerca de 18.000 mulheres. Após 2 anos de seguimento demonstraram 100% de eficácia em lesões pré-cancerosas cervicais (CIN 2-3 e AIS), vulvares (VIN 2-3), vaginais (VaIN 2-3) e condilomas genitais associadas ao HPV tipos 6, 11, 16 e 18. 20-24

Resultados publicados aos 5 anos, demonstraram uma eficácia de 96% (95% IC: 84-100) na infecção persistente e de 100% (95% IC:75-100) em CIN 1-3 e condilomas, relacionados com HPV 6, 11, 16 e 18 23.

A avaliação da imunidade induzida pela Gardasil® demonstrou níveis elevados de anticorpos para os tipos 45, 31 que são genéticamente próximos dos HPV 16 e 18 cobertos pela vacina, o que é altamente promissor de protecção cruzada 25. Estão em curso estudos para avaliar a importância clínica desse achado.

Estão a decorrer ensaios para avaliar a eficácia da vacina quadrivalente em homens, no que respeita a prevenção de lesões provocadas pelos 4 tipos de HPV que envolvem, bem como o seu impacto na transmissão da infecção.
6.2. Vacina bivalente (em processo de aprovação) – contém VLPs 16 e 18.

O esquema de vacinação utilizado foi 1 dose intramuscular aos 0, 1 e 6 meses.

Foi efectuado 1 ensaio de Fase II, randomizado e em dupla ocultação, que envolveu 1 113 mulheres dos 15 aos 25 anos, a que se seguiu novo ensaio com 776 participantes, para prolongamento de seguimento por mais 36 meses. Os resultados publicados aos 4,5 anos são os seguintes: eficácia de 100% (95% IC, 30 – 100) na infecção persistente do HPV 16 e 18; protecção de 100% (95% IC, 42 – 100) para qualquer grau de CIN 26,27. Estão em curso ensaios de Fase III, que envolvem cerca de 35 000 mulheres de diversos países.

Nos ensaios fase II, a avaliação da imunidade induzida pela vacina bivalente, demonstrou níveis elevados de anticorpos para os tipos 45, 31, 52 e 58, que são geneticamente próximos dos HPV 16 e 18 cobertos pela vacina. A avaliação da eficácia clínica desses achados aos 53 meses, revelou uma redução de 54.5% para as lesões relacionadas com o HPV 31 e 94.2% para o HPV 45 26,27


A projecção dos benefícios das duas vacinas tem sido objecto de vários estudos já publicados. Se considerarmos uma cobertura de 100%, podemos esperar que ambas as vacinas reduzam a incidência de cancro do colo em 70 -75%; CIN 2 e 3 - 50%; CIN1 25%, para além da redução de outros carcinomas relacionados com o HPV 16 e 18 28.

A vacina quadrivalente permite esperar um acréscimo na redução das CIN1 em mais 10% e 90% de redução na incidência dos condilomas, para além de redução de outras lesões relacionadas com o HPV 6 e 11, como é o caso da papilomatose laríngea 28.

As duas vacinas de HPV não modificaram significativamente o curso da doença em mulheres com lesões no momento da vacinação, pelo que não têm eficácia terapêutica 29.
7. Segurança da vacina

Tanto a vacina quadrivalente como a bivalente demonstraram nos estudos efectuados ser seguras e bem toleradas, não existindo dados que demonstrem diferença significativa na tolerabilidade de uma em relação à outra 18.



7.1. Vacina quadrivalente

Nos estudos fase IIb os efeitos adversos locais mais comuns foram eritema, dor e edema mas que não excederam 10% em relação ao placebo. Os efeitos adversos sistémicos mais relatados foram a temperatura sub-febril (10% com a vacina vs 9% com o placebo) e cefaleia (19% com a vacina vs 20% com o placebo). Não houve incidência significativa de efeitos adversos graves, nomeadamente broncoespasmo23.

Durante os estudos algumas mulheres ficaram grávidas. No global 10.7% (1115) das mulheres engravidaram no grupo que fez Gardasil® e 12.6% (1151) no grupo placebo. Entre as mulheres que ficaram grávidas nos 30 dias após a vacinação houve cinco casos de anomalias congénitas em contraste com zero no grupo placebo mas nenhuma destas anomalias foi relacionada com a vacinação. Por outro lado, em mulheres cuja gravidez teve início mais do que 30 dias após a vacinação ocorreram 10 casos de anomalias no grupo da vacina e 16 casos no grupo placebo. Um painel de peritos em teratologia concluiu que estes eventos provavelmente não estavam associados a Gardasil® ou ao seu adjuvante. È de notar que a taxa de malformações congénitas nos USA é de 2 a 4% 18,30.

Houve 995 mulheres que amamentaram durante os ensaios (500 com vacina e 495 no placebo) sem que se verificasse reacções adversas relacionadas com a vacina nas crianças amamentadas ou qualquer perturbação na amamentação.



7.2. Vacina bivalente

Os resultados de ensaios fase IIb mostraram que os efeitos adversos locais mais comuns foram eritema, dor e tumefacção no local da injecção, mas que não excederam 5 – 9% em relação ao placebo. Efeitos adversos sistémicos como cefaleias, fadiga, prurido e sintomas gastrointestinais foram verificados em igual proporção no grupo placebo e no grupo da vacina. No global 16.6% dos vacinados e 13.6% do grupo placebo teve temperatura ≥ 37.5ºC. No que respeita a efeitos adversos graves, não se verificou qualquer aumento de incidência no grupo da vacina26,27.

Dados relativos à gravidez e malformações congénitas ainda não foram publicados.

É importante efectuar estudos de vigilância a longo prazo para monitorizar a segurança das vacinas e identificar eventuais efeitos adversos raros.

Foi demonstrada a compatibilidade da administração concomitante de Gardasil® com a vacina contra a Hepatite B.

Não foi ainda estudada a compatibilidade destas vacinas quando administradas juntamente com outras18.


8. Duração da imunidade

Aos 4-5 anos as duas vacinas mantêm níveis de anticorpos muito elevados (10 - 14 vezes superiores aos níveis da infecção natural).

A imunogenicidade efectiva está garantida e mantém os 100% de eficácia aos 53 meses com a vacina bivalente27 e aos 60 meses com a quadrivalente23, na prevenção de displasias cervicais provocadas pelo HPV 16 e HPV18 e dos condilomas (no caso da quadrivalente).

Os títulos de anticorpos após a vacinação são mais altos que os induzidos pela infecção natural e parecem durar mais tempo, sugerindo que a duração da protecção com a vacina poderá ser maior. A duração da protecção após a vacinação é desconhecida actualmente e será determinada por estudos de follow-up de longo prazo, que estão em curso.

Um estudo recente revela que a administração de uma dose da vacina quadrivalente aos 5 anos, foi acompanhada de um aumento altamente significativo na concentração de anticorpos, com concentrações plasmáticas superiores às primeiras administrações da vacina, o que garante a presença de memória imunológica e permite antever uma capacidade protectora prolongada, ao mesmo tempo que demonstra a eficácia do reforço, caso venha a estar indicado23. Contudo, serão necessários alguns anos para se definir a necessidade de reforço e, caso seja necessário, quais são os intervalos recomendados. Estão a decorrer estudos de follow-up com Gardasil® numa coorte sentinela de mulheres vacinadasnos países nórdicos (n=5.800) pelo menos 4 anos antes da introdução da vacina no mercado, o que permitirá avaliar a necessidade de uma dose de reforço18.
9. Imunidade cruzada

Há resultados que sugerem que a duas vacinas podem conferir algum grau de imunidade cruzada contra o HPV 31 (relacionado com o HPV 16) e o HPV 45 (relacionado com o HPV 18) também associados ao cancro do colo do útero em 8-10% dos casos, tendo-se verificado aumentos significativos de anticorpos específicos daqueles dois tipos, com ambas as vacinas 25,27. São necessários estudos de longo prazo para determinar o significado clínico desta resposta imunitária.

Nos ensaios da vacina bivalente verificou-se aos 2 anos uma redução de 94.2% das infecções transitórias relacionadas com o HPV 45 e 54.5% nas relacionadas com o HPV 31 27.

Não se conhecem, ainda, dados de eficácia clínica cruzada para a vacina quadrivalente.


10. Idade de vacinação

As duas vacinas induziram concentrações elevadas de anticorpos específicos para os 4 ou 2 genotipos de VLPs que contêm. Os níveis de anticorpos induzidos são máximos no fim do 1º mês após a terceira dose da vacina e baixam progressivamente até aos 18 meses estabilizando até aos 4-5 anos – período máximo de avaliação disponível. A resposta imunológica foi máxima no grupo dos 9 aos 15 anos, baixando progressivamente com a idade, mantendo-se sempre significativamente mais elevada que a induzida pela infecção natural.

Sob o ponto de vista clínico as vacinas foram 100% eficazes na prevenção de lesões relacionadas com o HPV 16 e 18 nas jovens sem contacto com o HPV, independentemente da idade.

A precocidade crescente no início da actividade sexual é uma realidade em todo o mundo. Em Portugal um inquérito realizado pela SPG revela que 49.6% das jovens dos 15-19 anos já tinham iniciado a sua vida sexual31. Vários estudos revelam que cerca de 50% das mulheres fica infectada pelo menos por um tipo de HPV entre 2 a 5 anos após o início de actividade sexual 32.

Como o HPV 16 e 18 são os genotipos mais frequentes em adolescentes e mulheres jovens o benefício máximo potencial da vacina será atingido se a administrarmos antes do início da actividade sexual.

Baseados na evidência científica disponível, a FDA e a EMEA aprovaram a vacina quadrivalente para o grupo de mulheres entre os 9-26 anos, considerando-se como alvo preferencial para a vacinação as adolescentes antes do início da actividade sexual 32.

O grupo dos 11-13 anos constitui uma óptima oportunidade de vacinação aproveitando o exame global de saúde recomendado pela Direcção Geral de Saúde para este grupo etário.

A vacina não deve ser administrada a crianças com menos de 9 anos, nem em mulheres acima dos 26 anos, enquanto não surgirem resultados que o justifique.


11. Impacto da vacina no rastreio do cancro do colo do útero

As vacinas, que foram objecto dos ensaios já publicados, dirigem-se aos HPV 16 e 18 que estão envolvidos na génese de 70-75% dos cancros invasivos do colo do útero (escamosos e adenocarcinomas)4,33. Se a protecção cruzada for efectiva contra os HPV 45 e 31 é possível que haja um acréscimo de mais 5 a 10% de protecção. De qualquer forma não está garantida uma protecção de 100% para os cancros invasivos. Acresce que as mulheres com menos de 26 anos que venham a ser vacinadas podem estar infectadas quando o fizerem. Por outro lado desconhece-se o impacto da vacina no comportamento de outros tipos de HPV oncogénicos não visados pelas vacinas, e levará alguns anos até que se atinja uma cobertura de 90 a 100% da população alvo, de modo que haja repercussões significativas na incidência do cancro invasivo do colo do útero.

Por essas razões o rastreio organizado com controlo de qualidade e sistema de convite personalizado tem de continuar efectivo nos próximos 20 anos até que a vacina tenha repercussões epidemiológicas significativas 6.

Nas mulheres vacinadas, fora do programa de rastreio da região centro, poder-se-á considerar iniciar mais tarde a citologia, alongar o intervalo entre as colheitas, ou mudar para o teste HPV 6.


12. Situações especiais
Gravidez

Nos ensaios com a vacina quadrivalente não se verificou que fosse responsável por qualquer malformação, no entanto os dados são escassos, pelo que não se recomenda a sua administração durante a gravidez. Se a vacina for administrada a uma grávida, não está indicada a interrupção da gravidez, porque não há risco acrescido de malformações 34.

Se a mulher engravidar no decurso da vacinação deve atrasar a toma da 2ª ou 3ª dose para depois do parto. Esse atraso pode alongar-se até 1 ano, sem perda de eficácia da vacina.

A vacina quadrivalente pode ser dada a mulheres a amamentar34.

Não se conhecem ainda os dados referentes à vacina bivalente.
Imunodeficiência

Não se conhecem resultados sobre a segurança e eficácia das vacinas em indivíduos com imunodeficiência ou portadores de HIV. As recomendações de organismos internacionais não contra-indicam a administração das vacinas, atendendo que não contêm qualquer material genético e não provocam qualquer grau de infecção.


13. Contra-indicações

Não se conhecem contra-indicações excepto quando há hipersensibilidade à substância activa ou a qualquer dos excipientes35.


14. Implementação da vacina
Vacinação nos rapazes

Estão a decorrer estudos com a vacina quadrivalente. Se ficar demonstrado que a vacina é eficaz em homens poderá vir a ser recomendada para prevenção de verrugas anogenitais e de cancros anais e do pénis.

Os dados disponíveis de modelos matemáticos mostram que a vacinação dos rapazes poderá não ser custo-efectiva na redução de cancro do colo do útero, na medida em que acresce apenas em 6 a 7% o seu impacto, enquanto os custos duplicariam36,37.
Educação

Vários estudos demonstraram que o conhecimento da população geral sobre HPV é muito limitado pelo que é importante aumentar os níveis de conhecimento sobre este tema, nomeadamente com a sua inclusão na educação para a saúde do curriculum escolar18.

No âmbito dos profissionais de saúde o conhecimento sobre o HPV também varia nos diferentes grupos e especialidades pelo que deverão ser envolvidos em acções de formação adaptadas às necessidades de cada grupo12
Análise custo/ eficácia

O tempo de progressão da infecção por HPV até ao cancro do colo do útero é longo (15 anos em média) e o tempo de penetração da vacina na população será igualmente longo.

Decorrerão muitos anos até se observar uma redução significativa na incidência e mortalidade por cancro do colo do útero.

Nenhum estudo clínico pode abranger um espaço temporal tão longo de modo a dar resposta a todos os aspectos relacionados com a implementação da vacina, seu impacto na importância social e económica da doença, e assim a determinar o seu verdadeiro custo/efectividade.

Contudo, há um consenso generalizado, baseado em complexos modelos matemáticos e análises de custo/eficácia, de que os programas de implementação da vacina juntamente com os programas de rastreio reduzirão a prevalência de lesões precursoras e do cancro do colo do útero, mas não as eliminarão na totalidade.

Estudos de projecção mostraram que a introdução de vacinas contra o HPV 16 e 18, nos USA, mantendo o rastreio, diminuiria o risco de cancro do colo do útero em 46 a 66%37.

A utilização de um modelo para avaliar as consequências epidemiológicas e custo-efectividade com a introdução da vacina quadrivalente (tipo 6, 11, 16 e 18), no contexto de um programa de rastreio organizado nos EUA demonstrou que, em comparação com a prática corrente, a vacinação de raparigas com idade inferior aos 12 poderá reduzir a incidência de condilomas genitais (83%) e cancro do colo do útero (78%) relacionados com o HPV 6, 11, 16 e 18. Os resultados deste estudo sugerem que a vacinação com a vacina quadrivalente possa ser custo-efectiva38.
Aceitabilidade

Foram realizados vários estudos a mulheres jovens, pais de adolescentes e profissionais de saúde, que sugerem que a aceitabilidade global para uma vacina profilática para o HPV é alta 40,41. São vários os factores que influenciam esta atitude: alta eficácia e segurança, severidade das lesões provocadas pelo HPV e recomendação dos profissionais de saúde. A aceitabilidade aumentou com o conhecimento sobre a infecção por HPV.


Impacto nos comportamentos sexuais

O receio de que a vacinação possa vir a aumentar a promiscuidade sexual ou comportamentos sexuais de risco parece não ter fundamento18. É importante enfatizar que a vacina se destina à prevenção contra o cancro do colo do útero Uma vez que a vacina não protege contra todos os genotipos de HPV nem contra ou outras infecções sexualmente transmissíveis é importante continuar a recomendar as medidas de prevenção adequadas.


15. Aspectos que necessitam de esclarecimentos suplementares
Os últimos 15 – 20 anos foram notáveis no conhecimento da história natural da infecção por HPV e do cancro do colo do útero, até chegarmos à criação da vacina, que constitui por si só um acontecimento de extraordinário impacto.

É fundamental reconhecer que neste momento existem algumas limitações destas vacinas, bem como desconhecimento de alguns aspectos com elas relacionados18:

1. Não protegem contra todos os genotipos de HPV oncogénico;

2. Não tratam as infecções por HPV existentes/prevalentes;

3. A duração da protecção é desconhecida;

4. O custo da vacinação poderá limitar o seu uso;

5. O regime de 3 doses não é o ideal.

6. Não existem estudos de custo/eficácia em relação à vacinação fora da idade ideal em campanhas de repescagem (catch-up).

7. Não se conhece a duração da imunidade induzida pela vacina para além de cinco anos;

8. É necessária mais informação sobre toxicidade reprodutiva e co-administração com outras vacinas para adolescentes;

9. É necessária vigilância epidemiológica da efectividade na redução da doença alvo;

10. É necessário avaliar as alterações da prevalência das lesões e da distribuição dos diversos genotipos de HPV;

11. É necessário obter dados qualitativos e quantitativos da aceitabilidade.

12. É necessário conhecer o impacto no rastreio.


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Glossário

AAHS- amorfo de sulfato de hidroxifosfato de alumínio

ASO4 -monofosforil lípido A

CIN- neoplasia intraepitelial cervical

FDA- Food and Drug Admnistration

HPV- papilomavirus humano



VLP- partículas tipo vírus

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