Vampira que não retorna



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Vampira que não retorna



Traduções e Revisões RTS

Série Betsy 04
Vampira que não retorna



Mary Janice Davidson






Tradução: Jossi
Revisão: Sílvia Helena




Formatação:



SÉRIE Queen Betsy - RAINHA BETSY

1. Undead and Unwed (2002) - VAMPIRA E SOLTEIRA

1.0 - GAROTAS MORTAS NÃO DANÇAM

2. Undead and Unemployed (2004) - VAMPIRA E DESEMPREGADA

3. Undead and Unappreciated (2005) - VAMPIRA E DEPRECIADA

4. Undead and Unreturnable (2005) - VAMPIRA QUE NÃO RETORNA

4.0 - UM DEMÔNIO NECESSITADO

5. Undead and Unpopular (2006) - VAMPIRA NÃO-POPULAR

6. Undead and Uneasy (2007) - VAMPIRA E INTRANQUILA

7. Undead and Unworthy (2008) - VAMPIRA E INDIGNA

8. Undead and Unwelcome (2009) - VAMPIRAS NÃO SÃO BEM-VINDAS


Sinopse:
Ainda que ela seja a rainha dos vampiros, Betsy Taylor atua como uma princesa. Nas novelas de Mary Janice Davidson, esta soberana caprichosa e exigente finalmente começa a conformar-se com seu novo status.

Eles dizem que o Natal é um tempo para os amigos e a família. Mas com uma meio-irmã que é a filha do diabo, uma malvada madrasta, um demônio que vive em seu sotão, diferentes tipos de espíritos, assassinos ficando loucos e um casamento na primavera que tem que planejar com o antigo causador da ruína de sua existência, Eric Sinclair. Betsy não tem certeza de que irá sobreviver às férias.

Ah, é verdade. Ela já está morta...

PRÓLOGO
Del St. Paul Pioneer Press



15 de Dezembro de 2005
ENCONTRADA UMA TERCEIRA MULHER ASSASSINADA. Minneapolis, Minnesota.
O corpo de uma residente da Edina foi encontrado esta manhã aproximadamente às seis e meia da madrugada. Cathie Robinson, de 26 anos, foi encontrada no estacionamento do Wal Mart do Lago Street. Os forenses afirmam que foi estrangulada. Denunciaram seu desaparecimento em 13 de Dezembro. Acredita-se que é a terceira vítima do até então chamado Assassino do Caminho de Entrada, ao que lhe imputaram por agora três vítimas locais.

O detetive Nick Berry, que está trabalhando com o FBI desde a aparição da segunda vítima, Martha Lundquist, que foi encontrada em 23 de Novembro, afirma que a investigação está seguindo várias pistas. Esta é nossa prioridade máxima - disse Berry. Nada mais se coloca a frente.

O desaparecimento da Senhora Lundquist foi denunciado em 8 de Novembro, e seu corpo foi encontrado no estacionamento do Armazém White Bear, no Lago Target em 10 de Novembro.

O FBI fez um perfil do assassino, que parece estar escolhendo mulheres altas e loiras de olhos claros e cabelos curtos. Embora a detenção deste assassino seja "iminente", Berry adverte às mulheres de Minneapolis que tomem precauções quando saírem de seu trabalho.

Acredita-se que o Assassino do Caminho de Entrada atacou também em Iowa, Missouri e Arkansas.

O FBI e a polícia local acreditam que a primeira vítima foi Katie Johnson, de 27 anos, cujo desaparecimento foi denunciou em 28 de Outubro e o corpo foi encontrado em 4 de Novembro no estacionamento do McStop de Lakeville.




Del Star Tribune,

17 de Dezembro de 2005
NASCE, filho de Antonia Taylor e John Peter Taylor de Edina, Minnesota, um menino, Jonathon Peter Taylor II, às 12:05 da manhã em 15 de Dezembro no Fairview Ridges, Edina.

CAPÍTULO 1


Assim diz minha lápide sepulcral:
Elizabeth Anne Taylor

25 de Abril 1974 - 25 de Abril 2004

Nosso coraçãozinho, apenas descansa.
- Isto é tão deprimente - observou sua melhor amiga, Jéssica Watkins.

- É estranho - Minha irmã, Laura Goodman, estava olhando fixamente - Isto é muito, muito estranho.

- Nosso coraçãozinho, apenas descansa? – perguntei -. Que demônios isso significa?

- Eu acho agradável - disse minha irmã, um pouco em dúvida.

Parecia o sonho de um velho verde com seu cabelo comprido, loiro quase da cor de caramelo, com grandes olhos azuis e jaqueta vermelha. Sabe como os filhos de sacerdotes algumas vezes ficam selvagens quando finalmente se afastam de seus pais? Laura era a filha do diabo (não, não de verdade), assim que sua forma de se rebelar era ser tão agradável e doce quanto possível. Um plano covarde.

- É algo diferente. A maioria das pessoas diria um versículo da Bíblia, mas sua mãe certamente não o fez.

- Dado como acabaram as coisas - replicou Jess, passando a mão por seu cabelo negro encaracolado - é um pouco profético, não acha? - Como era habitual, quando seu cabelo estava preso, o puxava para trás tão firmemente, que o arco de suas sobrancelhas a fazia parecer constantemente assustada. Se bem que fosse possível, considerando onde estávamos de pé, que estivesse realmente assustada.

- Acredito que estar de pé diante de minha própria tumba é o último lugar no qual quero estar no dia 17 de Dezembro, isso é o que acredito - Depressivo e horripilante. Como deveriam ser as festas.

Jéssica suspirou de novo e descansou a testa em meu ombro.

- Pobre Betsy. Não posso superá-lo. Era tão jovem!

Laura sorriu um pouco.

- Como se chegar aos trinta não fosse um trauma suficiente. Pobre Betsy.

- Tão jovem!

- Podem recuperar a compostura, por favor? Estou aqui mesmo – Coloquei as mãos nos bolsos de meu casaco e me mostrei contrariada -. Quanto graus estamos, dez abaixo de zero? Estou me congelando?

- Sempre está congelando. Saiu sem as suas luvas, então não reclame. E estamos a trinta e cinco graus, criança.

- Quer meu casaco? - disse Laura -. Na verdade eu não sinto o frio.

- Outro de seus poderes sinistros - disse Jéssica -. Acrescentarei este à lista com as armas feitas de fogo infernal e o fato de ser sempre capaz de calcular uma gorjeta de 22 por cento. Agora Bets, volte a explicar para mim... como é que sua lápide está finalmente aqui?

Expliquei, se tivesse sorte seria a última vez. Eu morri, é obvio, na primavera. Tinha-me elevado nas primeiras horas da madrugada do dia de meu funeral e saí correndo como não-morta. Já que meu corpo tinha desaparecido, o funeral se cancelou.

Mas minha mãe, que teve uma enorme briga com meu pai e minha madrasta sobre quanto gastar em minha lápide de mármore, apressou-se a encomendar a coisa. Quando tudo terminou, funeral, sem missa, nem enterro, (Minha família sabia a verdade sobre o que era eu, e também Jéssica. Aos demais, meus colegas de trabalho e amigos, lhes disseram que o funeral tinha sido uma brincadeira, uma brincadeira de muito mau gosto).

De qualquer forma, minha lápide esteve guardada nos últimos seis meses. (Minha madrasta tinha votado por um puro e barato granito, com minhas iniciais e as datas de minha morte e nascimento, um penique economizado era um penique ganho, aparentemente. Meu pai, como sempre fazia quando minha mãe e Antônia estavam envolvidas, ficava à margem).

Depois de uns meses, a funerária entrou em contato cortesmente com minha mãe e perguntou o que queria fazer com minha lápide. Mamãe tinha a parcela e a lápide paga, assim fez com que a colocassem antes de ontem, e o mencionou no almoço de ontem. Já sabem algo assim como: "Garçom, quero sopa de tomate com parmesão, e por certo, céus, ontem pedi para que colocassem sua lápide no cemitério.

Jéssica e Laura estavam com uma curiosidade mórbida para vê-la, e concordou. Que demônios, era uma pausa com os preparativos do casamento e os cartões de natal.

- Sua mãe - comentou Jessica - é um modelo horripilante de eficiência.

Laura sorriu abertamente.

- OH, a Doutora Taylor é tão agradável.

- E quando pensa que sua madrasta não pode ser mais inepta... sem ofender, Laura. - Ant era tecnicamente a mãe biológica de Laura. Uma larga história.

- Não me ofendo - replicou ela alegremente.

- Já viram o suficiente degeneradas?

- Espera, espera. - Jéssica encasquetou com um ramo de lírios cor creme em minha tumba. Quase chiei. Eu tinha assumido que os tinha pegado para uma das oitenta mil mesas de nossa casa. Não para minha tumba. - Vamos.

- Inclinemos as cabeças - sugeriu Laura.

- Não. Estão as duas fodidamente doentes.

- Olha a língua - replicou gentilmente minha irmã.

- Não vamos rezar sobre minha tumba. Já é bastante repugnante só o fato de estar aqui. Esse seria um passo final e extremamente estranho.

- Não sou eu quem está à base de uma dieta líquida, nem sou a Rainha dos Vampiros. Bom, se não irão rezar, vamos.


CAPÍTULO 2

- Boa noite, Sua Majestade.

- Tina, querida - chamei, colocando mais creme em meu chá -. Sente-se. Pegue uma xícara.

- Quanto tempo está acordada?

- Duas horas mais ou menos - disse, tentando não parecer presunçosa. Deus tinha respondido minhas preces e ultimamente me levantava por volta das quatro da tarde. Claro, vivia em Minnesota em Dezembro, assim estava tão escuro as quatro como as oito.

- Mas... não viu o jornal? - Tina sentou-se na minha frente com o Tribune dobrado sob o braço. Colocou-o perto dela e ignorou o bule. - Ainda não?

- Eu não gosto como soa isso. Nem um pouco. - Tina duvidou, e se abraçou a si mesma. Tina era uma vampira velha, ridiculamente bonita como a maioria dos vampiros, totalmente devota a Sinclair e, em menor medida, a mim. Ela tinha transformado Sinclair, tempo atrás, e nos tinha ajudado, a ambos, ganhar nossas coroas recentemente, nos protegendo, vivendo conosco (não assim, ewwww!)... era como um mordomo, só que pequena e bonita. Assim acredito que seja uma menordomo.

Seus cabelos eram compridos de cor castanha, que usualmente recolhia em um coque eficiente, e enormes olhos escuros. Grandes sobrancelhas castanhas escuras animavam seus olhos. Embora apenas chegassem ao queixo, davam uma aparência quase nobre. Como a Ellen, a mãe de Escalarta O’hara, nunca tinha visto os ombros de Tina tocar o encosto de nenhuma cadeira, nunca a tinha visto sequer em uma má postura. Também era enlouquecedoramente correta e nunca esquecia nada. Teria sido uma rainha muito melhor que eu, para falar a verdade.

De qualquer modo, o caso era que dirigia com vigor todo tipo de situações que à maioria deixaria clinicamente loucos ou ao menos irritáveis. E estava duvidando. Estava nervosa.

Senhor me ajude a ser forte.

- Acredito que será melhor me contar isso. - Desdobrou silenciosamente o jornal e me ofereceu ele. Nascimentos e mortes. Li o anúncio -. Huh - disse sem me surpreender -. Meu irmão nasceu faz dias, e não se incomodaram em me dizer isso. O que você acha?

Tina estava de fato encolhendo-se de medo em sua cadeira e abriu os olhos de par em par ante meu comentário.

- Isso... Isso é tudo? Esse é seu único comentário?

- OH, vamos. Cresci com essas pessoas. Este não é um comportamento exatamente atípico. Suponho que será melhor ir até lá e apresentar meus respeitos. Vejamos... acho que deveríamos nos encontrar com a florista esta noite, mas duvido seriamente que Sinclair se importe isso passe para outro dia... e Jess e eu temos um jantar mais tarde programado, mas ela não irá querer que eu perca isso... sim, irei ver o bebê esta noite.

A testa perfeita e lisa de Tina estava enrugada de surpresa.

- Devo dizer Majestade, que está encarando isto muito melhor do que eu esperava.

- Estava esperando. Fiquei atenta aos anúncios de nascimentos... só que não tive a oportunidade de comprová-los hoje. O bebê é prematuro... não achei que Ant tivesse o bebê até Janeiro.

- Pode ser que fizeram uma confusão com as datas - sugeriu Tina -. É possível que calculasse mal a data de sua última menstrua...

- Ei, estou tentando suprimir minha sede ímpia aqui - lhe recordei.

- Sinto muito.

Olhei novamente para o jornal.

- Assim que, irmão Jon. Sabe, o último bebê que teve Ant foi a filha do diabo. Pergunto-me como vai ser você?


CAPÍTULO 3

- Seu pai não está aqui - disse Ant. Embora estivesse com olheiras, seu cabelo cor de abacaxi estava em perfeita forma. Estava segurando uma babá eletrônica entre seus dedos ásperos, e um pranto monótono saía dele -. Não voltará até amanhã

- Estou aqui para ver o bebê, Antônia. Já sabe, meu irmão - Felicidades, por certo.

Ainda estava pendurada na porta, me mantendo firmemente nos degraus dianteiros.

- Não é bom momento, Betsy.

- Não o é nunca. Em realidade, para nenhuma das duas. Está com um aspecto terrível - disse alegremente.

Fulminou-me com o olhar.

- Agora estou ocupada, assim terá que voltar em outro momento.

- Olhe Antonia, como quer fazer isto? Posso continuar telefonando e vindo por aqui e você pode continuar me despachando, e eu posso me queixar com meu pai que cedo ou tarde se cansará de estar no meio e fará com que me deixe ver o bebê, ou pode me deixar entrar esta noite e acabar com isto.

Abriu a porta de par em par.

- Estupendo, passa.

- Muito obrigado. É muito amável. Ganhou uma tonelada de peso ultimamente? - perguntei, tirando o casaco. Então me lembrei que sentia frio constantemente e que não iria ficar muito tempo e voltei a colocá-lo. Não é que pareça, já sabe, bem.

- Tenho que olhar a Jon - disse, franzindo o cenho para a babá eletrônica -. O médico disse que é cólica. Seu pai me deixou com ele.

- Sim, esse é o tipo de coisas que lhe cai bem.

- O chamamos assim por causa de seu pai - acrescentou orgulhosamente, e estupidamente.

- Mas o nome de papai é John. Com o H. O nome do bebê é Jon, que, como tenho certeza que sabe, sendo sua mãe, é uma abreviatura de Jonathon, que se escreve de forma totalmente diferente -. Meus lábios estavam se movendo, ela poderia me entender? Provavelmente era o momento de tirar as Crayolas.

Olhou-me furiosa.

- Bastante. É Jon Peter, como seu pai.

Me rendo.

- Em que quarto colocou o menino?

Apontou para o sul ao final do corredor para o alto das escadas... o quarto mais afastado do principal. Surpresa. Subi às escadas, e ela foi atrás.

- Será melhor que não lhe morda – grunhiu - o que não considerei digno de resposta.

Ant sentia (e dizia, ruidosamente, todo o tempo) que tinha sido muito insensível da minha parte não ficar morta, e que meus companheiros vampiros eram maus elementos. Essa última era algo difícil de rebater -. Melhor que não. De fato, talvez não devesse tocá-lo absolutamente.

- Prometo, não estou resfriada - Abri a porta... podia ouvir o bebê uivando através da madeira... e entrei no quarto infantil, que estava cheio do Winnie do Pooh. Ech, ao menos que fosse o Pooh original.

- Redecoraremos na próxima semana - replicou ela ausente, olhando para o berço -. Com tudo da pequena sereia que aparece no EBay.

Diabo não me surpreendia que o pirralho estivesse chiando. Olhei e não vi nada especial: a cara vermelha típica de um recém-nascido com uma moita de cabelo negro, olhos pequenos fechados em duas gretas, boca aberta no "EeeeeeYAH eeeeeeYAH eeeeeeYAH" sustenido de um pequeno bebê zangado.

Estava vestido com um desses saquinhos, como uma ervilha, de um verde pálido que fazia que o pobre pirralho parecesse positivamente amarelo. Suas pequenas extremidades não tinham muita gordura; eram como raminhos. Seus pequenos punhos eram do tamanho de nozes.

Pobre pirralho. Dentro desta casa excessivamente grande com um tema Walt Disney, a Ant como mãe, e roupa verde. Era muito para qualquer um, mesmo para quem estava no planeta a mais de uma semana. Se pudesse chorar para ele, o teria feito.

- Pegue - disse Ant, e me ofereceu um pequeno pote com higienizador.

Revirei os olhos.

- Não tenho nada contagioso.

- Está morta.

Pensei em discutir, mas depois me rendi e lavei minhas mãos rapidamente. Bebê Jon gemia todo o momento. Sentia-me um pouco com vontade de gemer eu mesma quando devolvi o pote.

Não perguntei se podia lhe pegar; só o fiz, lhe segurando cuidadosamente a cabeça. (Recordava muito meus dias de babá). Terminou um "EeeeeeYAH!" final e ficou ali, com a boca aberta.

- Não quero que o... - começou Ant e olhou a seu filho. Meu Deus é a primeira vez que deixa de chorar em horas.

- Acho que gosta de mim.

- Me devolva.

Ofereci o bebê Jon e logo que saiu de meus braços começou a chorar de novo. Ant me devolveu ele apressada e ele calou.

Desculpe... não pude evitar. Um novo poder vampiro! Os recém-nascidos faziam minha malvada vontade. Inclusive melhor, Ant parecia tão verde como a roupa do bebê Jon.

- Bom – disse em voz muito alta, porque o havia devolvido outra vez e tinha que me fazer ouvir sobre os gritos -. Já vou.

- Espera!

Heh.

CAPÍTULO 4

Abri de repente a porta da cozinha e praticamente caí no meio do chão.

- Voltei! - gritei.

- Sim, eu também - disse Jéssica. Ainda com seu casaco cor caramelo, um casaco de homem que lhe chegava quase aos tornozelos, e tinha seu trabalho de ponto em uma mão e suas luvas na outra. Ninguém mais levantou o olhar. Talvez tenha que fazer uma entrada mais dramática; muita gente já a tinha usado -. Obrigado por cancelar nosso jantar, sua puta maldosa.

- OH, vamos, como se te importasse muito que fosse ali e chateasse a Ant. E cancelei o de amanhã também, por que... - Fiz uma pausa para o impacto dramático - vou cuidar de meu irmãozinho.

Jéssica ofegou.

- Vai o que?

Tina e Sinclair de fato levantaram o olhar.

- Não entendemos isso, querida - me disse Sinclair.

- Entenderam todos. Ouviram exatamente o que disse. - Tirei as mãos frias dos bolsos e as soprei, o que fez com que fosse abaixo de zero -. Sim, isso. Vou ficar de babá. O bebê gosta, e embora Ant não, está desesperada para sair de casa. Assim vou voltar amanhã a noite.

- Voltar... para a casa de sua madrasta.

- Sozinha com o bebê - esclareceu Tina.

- Eu sei! É um milagre de natal!

- Bom, irei também- decidiu Jéssica. - Acompanharei você. E eu gostaria de ver a... John, verdade?

- Jon. Sim. Será divertido! Estranho. Mas divertido. Podemos fazer pipocas e "as esquecer" no fundo de seu armário. - Joguei minhas chaves sobre o mostrador e cruzei a habitação. - No que estão trabalhando, meninos?

Eric Sinclair se encostou para trás para poder me olhar. Era o rei dos vampiros, meu amante, meu namorado, minha nêmese, e meu companheiro de quarto. Este ano, por assim dizer, foi suavemente interessante.

Como sempre, fiquei tão distraída pelo atrativo essencial de Sinclair, que quase esqueci olhar o livro no qual estavam tão concentrados. Estava tão... bom, bom.

Bom e bonito e alto e de ombros largos e tão tão bonito. Bonito de deveria-ser-contra-a-lei. Mãos grandes. Grande sorriso. Grandes dentes. Grande tudo. Ulalá. Depois de meses lutando contra minha atração por ele, já não tinha que fazer isso mais, e garota, era insaciável. Ambos éramos. É agradável não ter que lhe olhar pela extremidade do olho todo o tempo. Iríamos nos casar. Estávamos apaixonados. Assim era correto que babássemos incontrolavelmente um pelo outro.

Tirei uma mecha de cabelo escuro da testa, tentando não olhar embobada para seus olhos negros, deixando que minha mão vagasse para baixo de sua lapela, e finalmente olhei de volta para a mesa. Em meio segundo, meu bom humor se evaporou como o sabor da Ant em uma venda de degustação.

- Que demônios está fazendo isso aqui?

- Querida, está me espremendo... – Coloquei a mão na cintura e gentilmente se soltou, porque estava lhe retorcendo a lapela no peito e, e conhecendo ele, estava menos preocupado pelo estrago em sua traquéia que por medo de arruinar sua roupa.

- Não fique irritada - começou Tina.

- Ahhhh! Ahhhh! - Continuei, assinalando.

- Um tipo do UPS o trouxe - continuou ela.

Jéssica e eu a olhamos.

- Não, de verdade - disse.

- Um tipo do UPS trouxe isso? chiou Jéssica, apontando também para o Livro da Morte.

- E um pacote de sua mãe - acrescentou Tina serviçal.

- Jesus, dá medo olhar que há no outro pacote!

- Acreditava que havíamos... - Jéssica olhou para Sinclair, que estava tão sério como sempre, embora seus olhos negros brilhassem de um modo que fazia que os pêlos de meus braços se arrepiassem - Acreditava que tinha desaparecido.

- Merda, merda, merda - murmurei. Estava aberto... aberto!... e o fechei de repente. - Merda! Não o olhem. Merda! Por que estão olhando isso?

- OH, bom, para planejar o que fazer com tudo isso. - Sinclair sorriu, mas não parecia especialmente feliz. - Melhor sorte a próxima vez, e com isso quero dizer, que não se atreva a voltar a fazê-lo.

Para abreviar: li o Livro da Morte mais ou menos no Halloween e fiquei mal por um momento. Realmente mal. Tanto como para morder e perseguir meus amigos. Inclusive agora, três meses depois, ainda me sentia desesperadamente envergonhada pelo modo como tinha atuado, e apenas podia pensar nisso. Castiguei-me a mim mesma calçando sapatos de lona Kmart durante um mês, mas nem sequer isso era uma forma correta de penitência.

A parte boa era que agora podia sair de meu profundo e escuro sonho ao entardecer, em vez de estar nocauteada desde o amanhecer ao anoitecer. Mas para mim não tinha sido um trato o bastante bom, e tinha atirado o Livro ao Rio Mississipi, e dado adeus.

Sinclair ficou friamente furioso, e Tina não estava especialmente contente comigo tampouco. Documento histórico, de valor incalculável superior ao dos rubis, ferramenta de adivinhação, blá, blá, blá. Ele não tinha me expulsado de sua cama, mas em todo o momento que tínhamos estado fazendo amor essa noite, não tinha parado de chamar minha atenção. E em sua cabeça (posso ler sua mente, embora ele não saiba... ainda) ficou realmente louco. Isso tinha sido uma grande e horrível descoberta. Mas nesse momento, eu acreditei que era um pequeno preço a pagar por ter me livrado do livro.

E agora estava de volta.

- Merda - disse de novo, porque não podia pensar em nada mais.

- Bom - disse Jéssica, olhando fixamente o Livro. - Eu tenho algumas boas notícias.

- Que isto é uma falsificação realmente boa?

- Não. Acabo de terminar minha última aula de crochê. Agora posso ensinar ao George outro ponto.

- OH. – Dei um jeito de tirar meus olhos do Livro. - Bom isso é uma boa notícia. Realmente... boa.

- Que tal sua lápide? - perguntou Tina cortesmente.

- Não mude de assunto.

- Mas é tão tentador.

- O que vamos fazer com isso?

- Jessica já mudou de assunto. Eu acredito que devemos levar de volta à biblioteca.

- Onde pertence, e de onde nunca deveria ter saído em primeiro lugar.

- Ei, minha casa, minha biblioteca, meu livro.

- Com muita dificuldade - soprou ele.

- Além disso, é nossa casa - disse Jéssica, o qual foi muito amável, porque ela pagava a hipoteca. Sinclair pagava uma mísera renda, e eu não pagava nada. Tínhamos utilizado os ganhos da venda de minha velha casa infestada de térmites para fazer um pagamento parcial pela mansão.



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