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O MUNDO IMAGINÁRIO DO DR.

PARNASSUS


Informação de Produção

DDA Public Relations

192-198 Vauxhall Bridge Road

London SW1V 1DX

+44 20 7932 9800

Informação de Produção
O anúncio de um novo filme de Gilliam de Terry provoca uma mistura de animação, curiosidade e também um pouco de apreensão. O visionário diretor tem a reputação de um inconformista criativo, mas a passagem das suas criações para a tela nem sempre é uma tarefa fácil. A trágica perda de Heath Ledger durante a fase de produção do The Imaginarium of Doctor Parnassus, por pouco fez com o filme não fosse lançado, mas Gilliam lutou para reconfigurar a história, sem perder o belo desempenho do ator. O diretor, o elenco e a equipe trabalharam incansavelmente para completar o filme que havia começado na imaginação vívida de Gilliam e do seu corroteirista Charles McKeown, menos de 18 meses antes.
“Como o formato da história permite que seja preservada a atuação completa de Heath, em momento algum o seu trabalho será modificado ou alterado por meio de tecnologia digital,” afirmaram os produtores do filme à mídia e ao público. “Cada uma das partes interpretada por Johnny Depp, Colin Farrell e Jude Law representa muitos aspectos do personagem encarnado por Heath.”
Agradeço a Johnny, Colin e Jude por terem aceitado participar do filme e também a todos aqueles que nos possibilitaram terminar o filme, declarou o diretor Terry Gilliam. Ele continuou dizendo, “É um grande prazer ver que o desempenho brilhante de Heath poderá ser visto por todo mundo.”
Nessa aventura que se passa nos dias atuais, o Dr. Parnassus (Christopher Plummer) tem o extraordinário dom de inspirar a imaginação das pessoas. Com a ajuda da sua companhia de teatro itinerante, composta pelo seu assistente, o sarcástico Percy (Verne Troyer) e o versátil mágico do baralho Anton (o vencedor do prêmio BAFTA® Andrew Garfield), Parnassus oferece ao público a possibilidade de transcender a realidade mundana, através de um espelho mágico e entrar em um universo de ilimitada imaginação. Mas, a mágica de Parnassus tem um preço. Durante séculos ele vem jogando com o diabo, Sr. Nick (Tom Waits), que agora volta para receber o seu pagamento – a preciosa filha de Parnassus, Valentina (Lily Cole), quando ela completar 16 anos.
Sem desconfiar do seu destino próximo, Valentina se apaixona por Tony (Heath Ledger), um forasteiro muito charmoso com um passado misterioso. Para salvar a sua filha e se redimir, Parnassus faz uma última aposta com Sr. Nick, que envia Tony (representado, durante suas várias visitas, por Johnny Depp, Colin Farrell e Jude Law) Valentina e o resto da companhia de teatro a uma viagem cheia de reviravoltas, dentro e fora de Londres e pela espetacular paisagem do Imaginarium.

O filme começou a ser filmado no início de dezembro de 2007 em Londres, onde foram feitas as cenas dramáticas com Parnassus, a companhia e o imponente teatro puxado por cavalos, pelas paisagens conhecidas da cidade. Nas ruas de Londres, o vagão, guiado por Percy (interpretado por Verne Troyer), tornou-se uma visão familiar e impressionante para os felizes habitantes da cidade que se preparavam para o Natal.


Uma série de tomadas noturnas mostra o palco itinerante do Imaginarium todo montado, num Parque de Diversões, contra a conhecida paisagem da Ponte da Torre de Londres. Depois, no meio de uma briga de bêbados à sombra da imponente Catedral de Southwark Cathedral e, por fim, invadido por bandidos russos, nos confins vitorianos do Leadenhall Market. Dois dos principais personagens ficam perigosamente pendurados na Ponte Blackfriars em cima do rio Tamisa, enquanto a magnificência da Battersea Power Station, a maior estrutura em tijolos da Europa, abriga uma variedade de cenas domésticas com o Dr. Parnassus e sua “família”.
Após essas sequências dos dias de hoje, a produção passou para os Estúdios Bridge perto de Vancouver, no Canadá, para sete semanas de filmagem em blue-screen, a fim de criar a grandeza épica do Imaginarium. Vancouver também ofereceu algumas locações surpreendentes, como o magnífico teatro em art déco The Orpheum, local onde foi realizado o baile de beneficência e organizada a entrevista coletiva.
Heath Ledger (“Batman, O Cavaleiro das Trevas (The Dark Knight)”, “O Segredo de Brokeback Mountain (Brokeback Mountain)”), ator premiado com o Oscar®, estrela como o misterioso Tony, junto com o aclamado Christopher Plummer (“O Informante (The Insider)”, “A Noviça Rebelde (The Sound of Music)”), o vencedor do último BAFTA® Andrew Garfield (“Boy A”, “Leões e Cordeiros (Lions For Lambs)”) como Anton, Verne Troyer (“O Guru do Amor (The Love Guru)”, “Austin Powers: O Espião “Bond” Cama: Austin Powers: The Spy Who Shagged Me)” e “O Homem do Membro de Ouro (Goldmember)”) como Percy, a super-modelo Lily Cole (“St Trinian’s”) como Valentina e o lendário músico indicado ao Oscar® Tom Waits (“Paixão Suicida (Wristcutters: A Love Story”, “O Dráculo de Bram Stoker (Bram Stoker’s Dracula)”) como o diabólico Sr. Nick.
Johnny Depp, três vezes indicado ao Oscar® (“Sweeney Todd – O Brabeiro Demoníaco de Fleet Street (Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco de Fleet Street (Sweeney Todd: The Demon Barber of Fleet Street)”, “Em Busca da Terra do Nunca (Neverland)”, “Piratas do Caribe (Piratas do Caribe - A Maldição do Pérola Negra (Pirates of the Caribbean), o premiado Colin Farrell (“Miami Vice (Miami Vice)”, “Alexandre (Alexander)” e Jude Law duas vezes indicado ao Oscar® (“Cold Mountain”, “O Talentoso Mr. Ripley (The Talented Mr Ripley)”) entraram no filme, no meio da produção, para interpretar outros aspectos de Tony.
O elenco ainda conta com a participação de atores notáveis como o sueco Peter Stormare (“Os Irmãos Grimm - (The Brothers Grimm))”, “Dançando no Escuro (Dancer in the Dark”) como o Presidente do Universo, a valorosa Maggie Steed como a Mulher Louis Vuitton, os comediantes Mark Benton (“Three and Out”) como Papai e Simon Day (“A Maratona do Amor (Run, Fat Boy, Run)”) como Tio Bob e os novatos Paloma Faith (“St Trinian’s”) como Sally, Richard Riddell (“Dogging: A Love Story”) como Martin e Montserrat Lombard (dos seriados “Love Soup” e “Ashes to Ashes”) como a amiga de Sally.
Dirigido por Terry Gilliam (“Os Bandidos do Tempo (Time Bandits)”, “Brazil - O Filme (Brazil)”, “Os 12 Macacos (Twelve Monkeys)”), a partir de um roteiro original escrito em coautoria com Charles McKeown (“Brazil - O Filme (Brazil)”, “As Aventuras do Barão Munchausen (The Adventures of Baron Munchausen)”), o filme foi produzido por William Vince (indicado ao Oscar® por “Capote (Capote)”), Amy Gilliam (“Heróis (Push)”), Samuel Hadida (“Solomon Kane”, “O Pacto dos Lobos (Le Pacte des Loups)”, “Terror em Silent Hill (Silent Hill)”) e Terry Gilliam.
Os outros talentos por trás das câmeras incluem os colaboradores de Gilliam: a diretora de fotografia Nicola Pecorini (“Contraponto (Tideland)”, “Medo e Delírio (Fear and Loathing in Las Vegas)”); Mick Audsley, premiado com o BAFTA® de montagem, (“Os Imorais (The Grifters)”, “Os 12 Macacos (Twelve Monkeys)”, “Harry Potter e o Cálice de Fogo (Harry Potter and the Goblet of Fire)”); com direção de arte e de design original, juntamente com Terry Gilliam, de Dave Warren (“Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco de Fleet Street (Sweeney Todd: The Demon Barber of Fleet Street”, “10.000 a.C – (10,000 BC”). Anastasia Masaro (“Contraponto (Tideland)”, “Show Me”) é a designer de produção, com a figurinista canadense Monique Prudhomme (“Juno”, “O Melhor do Show (Best In Show)”). A vencedora do Oscar® Sarah Monzani (“Operação Valquíria (Valkyrie)”, “A Guerra do Fogo (Quest For Fire)”) cuidou do cabelo e da maquiagem e os engenheiros de som foram Tim Fraser (“O Segredo de Vera Drake (Vera Drake)”) e Eric Batut (“O Quarteto Fantástico (Fantastic Four)”), enquanto Irene Lamb, indicada ao Emmy® - “Os Irmãos Grimm (The Brothers Grimm)”, “As Aventuras do Barão Munchausen (The Adventures of Baron Munchausen)” - foi a diretora de elenco. A trilha sonora foi composta pelos premiados irmãos canadenses Mychael Danna (“Pequena Miss Sunshine (Little Miss Sunshine)”, “O Doce Amanhã (The Sweet Hereafter)”) e Jeff Danna (“Contraponto (Tideland)”, “Terror em Silent Hill (Silent Hill)”), com produção britânica de Rob How (“A Festa Nunca Termina (24 Hour Party People)”, “Extermínio (28 Days Later)”).
Os elaborados efeitos visuais, oriundos da imaginação de Gilliam, foram realizados pela Peerless Camera Company, empresa londrina com a qual o diretor trabalhou em todos os seus filmes e responsável pelos espetaculares efeitos visuais de recentes sucessos como “Voo 93 (United 93)” e “007 - Cassino Royale (Casino Royale)”.
Samuel Hadida apresenta uma produção da Infinity Features Entertainment, a Poo Poo Pictures Production, em associação com Davis Films Productions, The Imaginarium of Doctor Parnassus, com Heath Ledger, Christopher Plummer, Verne Troyer, Andrew Garfield, Lily Cole e Tom Waits e também Johnny Depp, Colin Farrell e Jude Law. Dirigido por Terry Gilliam, o filme foi escrito por Terry Gilliam e Charles McKeown e produzido por William Vince, Amy Gilliam, Samuel Hadida e Terry Gilliam, com produção executiva de Victor Hadida e Dave Valleau. Samuel Hadida possui os direitos mundiais de distribuição da coprodução oficial canadense e britânica, produzida com a participação de Telefilm Canada, com Mandate International como responsável pelas vendas no mercado internacional.

Sinopse:

The Imaginarium of Doctor Parnassus é um conto moral fantástico que se passa nos dias atuais. É a história do Dr. Parnassus e do seu ‘Imaginarium’, um espetáculo itinerante no qual o público tem a oportunidade irresistível de escolher entre a luz e a alegria ou as sombras e a escuridão.
Abençoado com o extraordinário dom de guiar a imaginação dos outros, o Doutor Parnassus é amaldiçoado com um sinistro segredo. Jogador inveterado há milhares de anos ele fez uma aposta com o diabo, o Sr. Nick, graças à qual ele obteve a imortalidade. Séculos depois, ao conhecer o seu verdadeiro amor, o Dr. Parnassus fez outra aposta com o diabo, na qual ele trocaria a imortalidade pela juventude, desde que, ao atingir 16 anos, a sua filha se tornasse propriedade do Sr. Nick.
Valentina está prestes a completar 16 anos e o Dr. Parnassus fica desesperado para protegê-la do seu destino iminente. O Sr. Nick chega para cobrar a dívida, mas como não pode deixar passar uma boa aposta, resolve renegociar o prêmio. Agora, o destino de Valentina será decidido por aquele que seduzir as cinco primeiras almas. Seguido por uma série de personagens loucas, cômicas e fascinantes, o Dr. Parnassus promete a mão da sua filha àquele que o ajudar a ganhar a aposta.
Nesta luta cativante, explosiva e maravilhosamente imaginativa contra o tempo para salvar a sua filha o Dr. Parnassus deve enfrentar uma série de infinitos obstáculos surrealistas – e desfazer, uma vez por todas, os erros que cometeu no passado!

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Notas dos bastidores

Esculpindo um bloco de mármore:
Em novembro de 2006, Terry Gilliam e Charles McKeown começaram a trabalhar no roteiro, o terceiro da dupla, após “Brazil - O Filme (Brazil)” e “As Aventuras do Barão Munchausen (The Adventures of Baron Munchausen).”
Gilliam havia decidido escrever uma história original, após vários projetos baseados em roteiros prontos ou adaptados. “Foi interessante ver que ainda conseguíamos pegar um projeto desde o início” disse Gilliam. Ele começou a examinar os materiais originais – ideias variadas, algumas de filmes que não se concretizaram e que haviam sido esquecidas – para ver o que podia ser usado.
Ele queria partir da ideia de uma companhia de teatro itinerante, baseada nos dias atuais em Londres, que podia viajar por mundos fantásticos e exóticos. Gilliam criou o personagem principal como sendo o de um homem um pouco perdido, anacrônico e em descompasso com um público que não quer mais ouvir as histórias que ele tem a contar. Já McKeown inventou o nome “Parnassus”. “É a aventura dele. Não era algo fixo, mas Terry já tinha uma ideia do que pretendia fazer. Acho que a ideia do Dr. Parnassus como sendo um curandeiro de origem oriental surgiu neste momento. No início, acho que a ideia era diferente.”
A próxima etapa consistiu em reunir as ideias que iam brotando, embora não houvesse nenhum plano específico. McKeown achava que era importante poder escolher. Entrar num mundo tão extraordinário pressupunha uma série de escolhas que iriam determinar a vida dos personagens. Os dois autores trabalharam nos seus computadores respectivos e trocaram e-mails o tempo todo. “Depois, nos reunimos mais uma vez” diz Gilliam. “À medida que íamos avançando, surgiam ideias mais concretas. Ainda não havia nada definitivo. Foi como se partíssemos de um grande bloco de mármore. Fomos esculpindo até que surgiu uma bela forma.”
“Conversamos durante algumas semanas de maneira geral sobre o assunto”, diz McKeown. “Passávamos o dia conversamos sobre vários assuntos e, finalmente, começamos a falar sobre o assunto em si e como estava relacionado aos acontecimentos atuais. Reunimos vários materiais e, depois, começamos a escrever o primeiro tratamento.
"Eu insisti para que Terry escrevesse o tratamento, porque ele sabia aonde queria chegar, mais do que eu, naquele momento. Eu ainda não sabia o que realmente queria. Embora fosse divertido e eu conseguisse enxergar a história, achei que Terry tinha uma ideia mais clara. Depois, quando comecei a escrever as cenas e os diálogos e a criar os personagens foi que tudo ficou mais claro. Eu enviava por e-mail seis ou sete páginas e ele continuava a trabalhar. Ele mudava um pouco, melhorava o que eu havia escrito e acrescentava o que queria. Enquanto isso, eu mandava mais um grupo de páginas e ele me devolvia e me mostrava o que havia feito.
"Era um processo de ida e volta e quando chegamos ao fim do roteiro, paramos tudo para discutir o que havíamos criado até aquele momento."
Segundo Gilliam, “Foi como uma partida de tênis, um jogando para o outro e, aos poucos, as coisas começaram a evoluir. É assim que as ideias surgem, vamos trabalhando com elas e daí surge uma história. É bom voltar a trabalhar com Charles – muito tempo havia se passado desde ‘Munchausen’.”
“Terminamos com algo bem diferente do que era no início,” admite McKeown. “Talvez o Doutor Parnassus esteja mais próximo da nossa história original, mas os outros personagens mudaram bastante. A personagem de Valentina, a filha do Dr. Parnassus, mudou bastante e as outras personagens também, sobretudo quando o resultado não era aquele que queríamos desde o início.
“Nós infringimos algumas regras. Em geral, temos que nos concentrar em uma personagem principal. Esta é uma das receitas para o sucesso: ter uma personagem principal, com a qual o público possa identificar-se. Mas, como se trata de uma peça de grupo, embora o título seja Doutor Parnassus – e ele realmente seja o centro de tudo, porque tudo gira em torno dele – as outras histórias são também muito importantes.
“O tempo da imaginação é básico – a importância e a influência da imaginação sobre a maneira como se vive, como se pensa, etc. Esta parte tem mais a ver com Terry. Durante algum tempo, ele pegou roteiros e livros de outras pessoas e os transformou em filmes que podem ser identificados como sendo de Terry Gilliam. Mas, acho que este vai além do que aquilo que ele fez até agora. Este filme tem muito a ver com ele. Acho que este filme reflete mais o que ele é do que os anteriores. Terry sempre se dá inteiramente ao que faz, com muita energia. Por isso o projeto tem que ser algo que valha a pena. Acho que ‘Brazil - O Filme (Brazil)’ foi um desses projetos, assim como ‘Munchausen’. Este projeto tem uma qualidade visceral e Terry se entregou totalmente. Ele se deu inteiramente a este projeto e acho que mais do que em qualquer outro trabalho recente.”
“Não sei de quem é essa autobiografia, se é minha ou dele,” confessa Gilliam. “Eu achava que tinha a ver comigo, mas não tenho mais certeza! Trata-se da luta que travam as pessoas criativas, os artistas. Eles tentam inspirar outras pessoas, incentivá-las a enxergar a realidade, a verdade, mas nem sempre conseguem. Isto é o que acontece.
“É uma ideia trágica e mágica – um grupo de pessoas extraordinárias que trabalham em um maravilhoso teatro itinerante nos arredores de Londres, mas ninguém presta atenção nele. Tenho certeza de que no mundo moderno, as pessoas não conseguem mais enxergar o que é importante. Todo mundo está perdido em seus IPods ou videogames ou no mercado de ações – o que não deixa de ser interessante, mas toma muito o tempo das pessoas – enquanto acontecem coisas extraordinárias e importantes e ninguém presta atenção.”

Como colocar tudo isso no filme:
“Pela primeira vez em muito tempo, eu fiz várias storyboards para este filme”, lembra Terry Gilliam, com alegria. “É por isso que me diverti tanto. É como se eu estivesse voltando à maneira como eu fazia os meus primeiros filmes, quando eu fazia todas as storyboards. Sentar e começar a desenhar as imagens é uma parte muito interessante do processo, quando se está escrevendo um roteiro. É uma transformação. Torna-se algo diferente. Eu não li o roteiro de novo. Simplesmente o reescrevemos baseados nos desenhos que fiz. Acho isto o máximo. Construímos modelos, usamos CG e misturamos tudo. Tentamos confundir as pessoas, de maneira que elas não consigam ver como estamos criando aquele mundo. É como se fosse um truque de mágica.
Amy Gilliam estava começando a trabalhar como produtora em Vancouver com William Vince, produtor premiado com o Oscar®, quando soube que seu pai estava escrevendo um novo roteiro. “Como trabalhei na indústria cinematográfica durante 12 anos e adquiri alguma experiência, um dos meus grandes desejos era, um dia, poder produzir um filme com o meu pai”, diz ela. “Quando li o roteiro, vi que todas as coisas com as quais cresci estavam ali – toda a imaginação e aventura. Era tudo incrivelmente mágico. Não se trata de uma história específica da minha infância, mas acho que muitos elementos têm a ver com a minha experiência e comigo mesma. Terry estava tentando obter financiamento e pensei que gostaria de participar. Seria incrível conseguir levar adiante aquela experiência. Bill Vince percebeu a minha empolgação e a paixão que eu sentia por esse projeto e ele era o tipo de pessoa que, se acreditasse em algo e em alguém, tentaria ajudar.”
Samuel Hadida veio juntar-se a Bill e a Amy como produtor, pois fora o responsável pela distribuição de “Os Irmãos Grimm (The Brothers Grimm)” de Gilliam, na França. Ele ficou impressionado com o roteiro e depois ficou encantado com o livro de arte que Terry produziu, para ilustrar a sua visão. “Isto nos ajudou a visualizar e a perceber o que ele queria. Trata-se de um filme muito visual, com muitos efeitos visuais e foi muito bom que todo mundo percebesse isso. Este mundo estava sendo criado em storyboard e conseguimos ver aonde ele queria chegar – era, sem dúvida, um grande desafio.”
“O design do Imaginarium provavelmente começou com os teatros de marionetes de Londres”, lembra Gilliam. “Quando cheguei à cidade havia uma loja que existe até hoje. Eles fabricam teatros vitorianos de brinquedo, feitos de papelão. Sempre achei isso muito curioso. Fui ao Museu da Infância, onde havia vários desses teatros antigos originais. Fotografei tudo e comecei a brincar com as fotos, usando o Photoshop.
“Para o design no lado externo do Imaginarium, usamos livros sobre arcanos, símbolos herméticos e Robert Fludd. Sempre gostei desse tipo de coisa. Não sei direito o que metade dos símbolos significa, mas eles provocam ideias e então resolvemos juntar tudo e aplicar no teatro. Há cobras, demônios, mau-olhado, pentagramas. Todo tipo de coisas – talvez uma mistura de todos os arcanos simbólicos existentes. A imagem e a iconografia medieval são muito boas e saudáveis para a nossa imaginação. Os alquimistas tentavam descrever o mundo, o cosmos e procuravam entender o sentido visual e filosófico daquilo tudo. É o contrário da realidade moderna e tenho a sensação de que faz mais sentido do que a nossa visão atual da realidade.”
“Agora, que já terminamos as filmagens, sei de que trata o filme, mais do que quando Charles e eu estávamos escrevendo o roteiro. Sinto que fiz o filme para tentar entender aquilo que eu estava escrevendo! Sabíamos que havia duas facções que guerreavam entre si – o homem que podia ser o Diabo e aquele que podia ser Deus, mas eles não são nenhum dos dois. Eles estão num plano abaixo, são Demiurgos. Então, resolvemos mudar o que cada um estava oferecendo ao mundo. Parnassus oferece a possibilidade de expandir a imaginação, mas isto não significa que será uma viagem fácil ou agradável. E sempre fizemos as escolhas oferecidas por Parnassus – o que significa que, se escolhermos a correta, é possível alcançar alguma forma de iluminação. Mas, sem dúvida, a jornada será muito difícil. O caminho mais fácil é sempre aquele oferecido pelo Sr. Nick. Enquanto estávamos escrevendo o roteiro mudamos o que o Sr. Nick estava vendendo. Na versão final, ele vende a ideia do medo e da insegurança. Ele mexe com a fraqueza, enquanto Parnassus mexe com o fato de que certas pessoas são fortes e estão dispostas a arriscar.
Segundo Tony, “Se Parnassus tem o poder de controlar a mente das pessoas, por que ele não consegue controlar o mundo?” Anton dá uma resposta que me agrada muito: ‘Ele não quer governar o mundo – ele quer que o mundo governe a si mesmo. Que o mundo seja responsável. É importante expressar esse tipo de ideias.


Elenco
Christopher Plummer foi o primeiro nome escolhido, se não me engano”, explica Gilliam. “Trata-se de um grande ator. Ele vem do teatro, já tem uma certa idade e sempre foi uma grande estrela. A filha dele, Amanda Plummer, trabalhou comigo em ‘O Pescador de Ilusões (The Fisher King)’ e os dois têm uma relação bastante interessante. O que é fantástico sobre Christopher é que a sua percepção teatral foi perfeita para o personagem – além do fato de que ele buscava o tempo todo o tom de humor do personagem.”
“Estou representando o personagem principal do filme,” comenta Plummer. “Não o Imaginarium, mas o papel do Doutor Parnassus. Um dia, Terry Gilliam me telefonou e disse que gostaria que eu interpretasse o seu personagem principal – um velhinho adorável. Acho que ele me chamou porque sou um dos pouquíssimos velhos atores que ainda consegue falar! Aliás, tenho cada vez mais sorte, porque o número desses atores diminui a cada ano e eu ainda estou vivo e saudável e posso trabalhar. Por isso, aceitei a oferta dele.
“Não sei o que fiz com Parnassus. De vez em quando, o diálogo era muito melodramático, por isso, ao ver como o cenário era colorido e muito agitado, as outras personagens se mexiam o tempo todo, porque Terry gosta de movimento. Então, decidi representar Parnassus de maneira calma e introspectiva, em vez de extrovertida e melodramática. Acho que deu certo, porque ele carrega em si uma tristeza profunda – pelo fato de ter traído a filha com o diabo. Acho que isto dá a ele um certo equilíbrio – não se trata de uma fantasia vã. Há um lado negro e trágico neste filme que, embora possa ser visto de maneira mais superficial, está sempre presente.”

Gilliam continua: “Um diretor de animação holandês estava tentando entrar em contato com Tom Waits (que eu considero ser um dos maiores poetas musicais norte-americanos) e me perguntou se eu poderia enviar a Tom um roteiro dele. Eu disse que sim. Foi o primeiro contato que tive com Tom em muitos anos. Ele recusou o roteiro do meu amigo, mas perguntou se eu tinha algo a lhe oferecer. Respondi que havia um personagem interessante no meu novo filme. Imediatamente, ele me disse que aceitava. Antes mesmo de ler o roteiro.”


“Eu faço o personagem do diabo”, explica Waits. “Eu não interpreto um diabo ou alguém diabólico. Eu interpreto o diabo. É um mistério saber como se interpreta o diabo? Como interpretar um arquétipo tão amplo, com raízes tão profundas na História? Finalmente, eu me dei conta de que teria que interpretá-lo da minha maneira – é o meu diabo. Esta é maneira como interpreto o diabo. Espero ter feito o que Terry queria. Espero ter ido além das suas expectativas. Nem sempre tenho certeza de ter conseguido. Espero que sim.
“Quando estávamos procurando quem interpretaria a nossa Valentina, Irene Lamb, que estava fazendo a lista do elenco, disse que tínhamos que ver Lily Cole”, disse Gilliam. “Fizemos um teste e pronto! Eu queria alguém que tivesse alguém com uma aparência extraordinária e que pudesse dar a impressão de ter 16 anos. A verdade é que quando começamos a filmar com Lily, pensei que talvez tivéssemos cometido um grande erro, porque ela era tão inexperiente e estava cercada de grandes atores. Mas, ela aceitou o desafio e foi ficando cada vez melhor. O resultado final é um desempenho absolutamente maravilhoso".
“O trabalho foi difícil,” admitiu Cole. “Mas, recompensou muito e Terry é uma pessoa muito bondosa. Aliás, todas as pessoas realmente são muito boas e o clima de trabalho sempre foi muito positivo e de grande colaboração. Não parece haver nenhuma briga de egos. Não há hierarquia, como brinca Terry – mesmo que, na verdade, haja. O que existe é uma atitude que incentiva todo mundo a dar sua opinião, o que é muito impressionante e especial.
“É muito diferente de desfilar como modelo, mas eu já sabia disso. O trabalho é bem diferente e as indústrias também. Para quem está de fora pode parecer semelhante, mas na prática, são trabalhos diferentes. Sinto uma pressão maior e participo mais quando estou interpretando. O que acho ótimo. A recompensa é maior – quando estou trabalhando como modelo, tudo parece mais preparado de antemão. Não há muito espaço para se dar mais de si mesma. Já representar tem um lado estético, sem dúvida, e é por isso que os atores são escolhidos, mas há mais espaço para a pessoa. É como se fosse: ‘Muito bem, o que você pode fazer? Então mostre como faz’. Isto torna a interpretação mais difícil, porém mais interessante.”
Verne Troyer foi escolhido logo no início,” diz Gilliam. “Ele teve um pequeno papel em Medo e Delírio (Fear and Loathing in Las Vegas), que durou dois segundos. Pensei que se queríamos uma companhia com pessoas extraordinárias, não bastaria um anão normal – tínhamos que ter o menor de todos os anões. Mas, não se trata apenas do tamanho. Na verdade, ele é Percy, com sua atitude cínica, espertalhona. Ele não leva desaforo para casa e Verne é exatamente assim.”
Troyer concorda. “Há muito de mim no personagem. Ele é, sem dúvida, uma pessoa difícil. É sarcástico, cínico e não dá a mínima para nada. Eu adorei interpretá-lo. Se pudesse, faria tudo de novo. Adoro um desafio. Não acho que Terry seja muito exigente. O que acontece é que quando se está filmando, ninguém gosta de perder tempo com bobagens. Gosto muito da direção de Terry. Ele sabe o que quer e tem muitas ideias e fica tudo muito engraçado.”
Segundo Gilliam, “Heath Ledger estava na Inglaterra trabalhando em ‘Batman – O Cavaleiro das Trevas (The Dark Knight)’ e ele trouxe um amigo em comum, que havia feito os storyboards de ‘Os Irmãos Grimm (Brothers Grimm)’. Eles estavam fazendo um vídeo de animação e precisavam de um lugar para trabalhar. Eu ofereci um espaço no Peerless (a nossa empresa de VFX) na sala de projeção e da diretoria. Um dia, eu estava lá para mostrar as minhas storyboards a umas pessoas que iam fazer um trabalho de pré-visualização e Heath e Daniele estavam na sala. Comecei a expor as sequências e Heath me passou um bilhete perguntando, ‘Posso interpretar o Tony?’ Ele já tinha lido o roteiro, mas eu não o havia convidado. Perguntei se ele estava falando sério. Ele respondeu que sim, porque queria ver o filme. Foi assim que tudo aconteceu. Quando Heath passou a fazer parte do projeto, achei que tudo ficaria mais fácil e que o dinheiro começaria a jorrar. Estava muito enganado!
“Depois, comecei a ouvir falar de Andrew Garfield. Eu não o conhecia, mas recebi uma fita que ele e a namorada tinham feito em Los Angeles. Ele interpretou cada uma das cenas de três maneiras diferentes e pensei que era absolutamente brilhante. Uma semana depois, Heath ligou, perguntando se eu havia contratado um ator chamado Andrew. Respondi que sim e ele disse que eu não ia acreditar, mas que ele estava indo à festa de aniversário de Andrew. Eram as forças ocultas colocando-se em movimento!

Garfield adorou trabalhar no filme. “Anton é muito engraçado, muito receptivo e muito infantil. Ainda assim, acho que ele é mais sábio do que a maioria das pessoas que têm o dobro da sua idade. Ele tem uma maneira interessante de encarar o mundo, muito pura e inocente. Acho que Terry enxerga tudo muito preto no branco. Ele gosta de compartimentalizar tudo em “bom” ou “ruim”, nos filmes, na vida e no mundo. Por isso, acho que caí na “boa” categoria, embora eu demonstre toques de escuridão em mim mesmo. Acho que sou Terry quando criança, quando jovem. Alguém que tenta saber quem ele é, onde se encaixa e está tentando, desesperadamente, ser uma boa pessoa e ajudar no que der.


“Terry é uma pessoa muito, muito honesta. Ele não fica enrolando e tentando fazer com que os outros pensem que ele sabe mais do que sabe na realidade. Ele trata os outros de igual para igual e espera resultados. Ele não gosta que as pessoas se encostem nele ou na equipe. A pressão diária é grande. Ir trabalhar, estar presente, ser inventivo, ser corajoso. Ele incentiva as pessoas a cruzar uma linha que normalmente não seria cruzada. É fácil saber quando ele está satisfeito e quando não está. Mas, ele não é didático. Ele sempre incentiva as pessoas”.
A próxima etapa de viagem de colaboração do Gilliam tinha começado. "Os ensaios eram interessantes, porque os atores tentavam achar seus personagens, mas o mais claro e direto era sempre Christopher. Começávamos uma cena como estava no roteiro, como tínhamos escrito e depois eu dizia 'Parnassus agora vai descer as escadas' e Christopher dizia 'Eu não acho que Parnassus deve entrar neste ponto'. Eu perguntava por que, e Christopher respondia: “Ele iria ficar sem fazer nada”. Um grande ator sempre sabe como entrar – e como não entrar – numa cena.
"Permiti mais improvisações neste filme do que qualquer outro. Tudo começou por causa de Heath. Ele tinha muitas ideias e tinha uma mente rápida e inventiva. De certa maneira, ele ainda estava no ritmo do Coringa e se sentia liberado de uma maneira que nunca havia se sentido antes. Ele sempre me dizia que estava fazendo coisas em cenas que ele não sabia que tinha dentro de si. Ele mal podia acreditar. Durante as primeiras semanas de ensaio, Andrew, que nunca havia improvisado de verdade, começou a tentar “competir”, mas Heath no personagem de Tony, era rápido demais, mostrando um nível de concentração incrível, além de ser muito intimidador. Não deu certo. No fim, Andrew descobriu que podia competir em um nível diferente e proteger a fragilidade do seu personagem. Ele conseguiu isto tornando-se engraçado e leve. E assim, ele deu a Anton o tipo de poder com o qual Tony não conseguia lidar.
“Eu estava me sentindo mais integrado ao filme do que geralmente acontecia. Grande parte disso eu devo ao entusiasmo e à energia de Heath e às novas ideias que ele tinha. Eu ficava observando e pensando se valia a pena utilizá-las. Sempre digo que não sou o diretor, sou apenas um filtro. Não me importo de quem é a ideia, desde que seja boa. Mas, felizmente, eu sou a pessoa que escolhe qual é a melhor ideia.
"O que é curioso é que quando Heath morreu, Andrew conseguiu preencher a parte do vazio deixado por Heath. A sua improvisação tinha se tornado brilhante e muito engraçada. Ele disse que não sabia que podia fazer comédia antes, porque seus personagens anteriores tinham sido sempre intensos e sérios. Foi interessante ver as coisas mudarem e crescerem, à medida que o filme ia avançando.”
Os produtores adoraram o elenco. "A coisa mais importante é quando o ator representa o seu personagem e e lhe dá vida," diz Samuel Hadida. “É fantástico ver os efeitos visuais, o design e o resto, mas a emoção só é passada por meio do desempenho dos atores. É aí que precisa entrar uma qualidade muito especial do diretor - achar os melhores atores para o mundo que ele criou. Terry consegue enxergar o brilho nos olhos de cada um, a maneira como as pessoas se movem, como se entregam e como representam. Acho que este é um talento incrível. Ele não apenas tem um mundo próprio, mas também sabe como dar vida a esse mundo.
"Como produtor, é necessário oferecer todas as ferramentas e toda a liberdade para um diretor como Terry Gilliam poder se expressar – e permitir que as suas ideias passem do papel à tela. Nossa meta é ajudá-lo a alcançar a visão a partir do momento da sua criação e oferecer tudo aquilo de que ele necessita para fazer o melhor filme possível".


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