Vivenciando a arte com crianças da classe especial tgd



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ISBN 978-85-7846-455-4

VIVENCIANDO A ARTE COM CRIANÇAS DA CLASSE ESPECIAL - TGD
Liria Yumiko Takeda Camargo

Professora da Classe Especial- TGD

Secretaria Municipal de Educação de Londrina

liriacamargo@gmail.com

Maria Aparecida Castro

Professora da Classe Especial- TGD

Secretaria Municipal de Educação de Londrina

maparecidacastro@bol.com

Cleide Vitor Mussini Batista

Professora Associada do Departamento de Educação Universidade Estadual de Londrina/UEL. Núcleo de Estudos e Pesquisas do Brincar, Infância e Diferentes Contextos. Psicóloga da GEAE/SME. ALPL- Membro da Associação Livre-Psicanálise em Londrina. CRP 08/18428

cler.psico@gmail.com

Eixo 2: Educação. Diversidade. Direitos Humanos.


Resumo: O presente trabalho tem como objetivo abordar a importância da Arte na Classe Especial - Transtornos Globais do Desenvolvimento - TGD possibilitando um olhar diferenciado para essa atividade que manifesta percepção, emoções e ideias em sala de aula, sem ser algo limitado. Acreditamos que a Arte na Classe Especial - TGD possibilita um olhar diferenciado para as crianças, que a partir das atividades apresentadas manifestaram interesse e interação e, com isto contribuiu nas suas percepções, emoções, criatividade e imaginação. E, se as diversas linguagens são instrumentos de comunicação da criança sobre o mundo, indagamos: De que forma as crianças da Classe Especial - TGDs podem fazer uso destas linguagens? A intervenção foi realizada com crianças de 6 a 9 anos que frequentam a Classe Especial – TGD de uma Escola Municipal de Educação Infantil e Anos Iniciais do Ensino Fundamental, pertencente ao município de Londrina. O tema escolhido foi à releitura da obra “O vendedor de frutas” de Tarsila do Amaral. Enfatizamos que as crianças da Classe Especial - TGD solicitam aos professores uma pedagogia sustentada nas relações, diferente de uma intencionalidade pedagógica voltada para resultados mais individualizados.
Palavras-chave: Classe Especial. Transtornos Globais do desenvolvimento. Arte.
Introdução
Como outras linguagens, as artísticas são formas de expressão e comunicação, mas têm características próprias: um repertório de produtos e fazeres socialmente construídos. As linguagens artísticas são instrumentos mediadores na construção da identidade cultural das crianças, tanto quando estas têm acesso ao repertório específico da Arte, como quando usam as linguagens artísticas para compreender e representar outros sistemas simbólicos.

Nesse sentido, as linguagens sobre a Arte têm uma dupla significação na Classe Especial - Transtornos Globais do Desenvolvimento - TGD, elas atuam como formas de comunicação e expressão para toda e qualquer informação das áreas de conhecimento. Na Classe Especial - TGD é necessário perceber como a criança se aproxima e age em relação ao aspecto estético e artístico do conhecimento, essas observações ajudarão o professor a saber como propor experiências e situações que façam avançar as percepções e observações das crianças, bem como seus repertórios de saberes.

O cotidiano da escola de Anos Iniciais de Ensino Fundamental é permeado por práticas expressivas com linguagens artísticas. Se as diversas linguagens são instrumentos de comunicação usuais na ação da criança sobre o mundo, nos indagamos: Como as crianças que apresentam Transtornos Globais de Desenvolvimento podem fazer uso destas linguagens no cotidiano escolar?

Para responder essa indagação temos como objetivo abordar a importância da Arte na Classe Especial TGD possibilitando um olhar diferenciado para essa atividade que manifesta percepção, emoções e ideias em sala de aula, sem ser algo limitado.

Esta intervenção foi realizada pelas professoras Líria Yumiko Takeda Camargo e Maria Aparecida Castro com as crianças da Classe Especial - TGD da Escola Municipal Maria Irene Vicentini Theodoro localizada na região Leste do município de Londrina -  PR. Esta Classe é coordenada pela professora e psicóloga da Gerência de apoio especializado -  GEAE da Secretaria Municipal de Educação. A Classe Especial - TGD desta referida escola atende quatro crianças com idade entre 6 a 9 anos. O tema escolhido para realizar atividades foi à releitura da obra "O Vendedor de Frutas" de Tarsila do Amaral.

Na perspectiva de relação entre arte e educação, da experiência infantil lúdica e sensível, possível de ser configurada na filosofia de Walter Benjamin, realizamos a intervenção com de artes visuais para os alunos da Classe Especial - TGD. A observação de suas condutas foi um elemento fundamental para se desenvolver atividades que pudessem configurar um estímulo para sua inserção no meio.


Assim, buscamos também, uma relação entre Arte e Educação na filosofia de Walter Benjamin onde o autor afirma que os artistas e as crianças encontram formas inspiradoras para procurar entender o mundo. E a verdadeira essência da educação encontra-se na observação:
À observação - e somente aqui começa a educação- toda ação e gesto infantil transforma-se em sinal. Não tanto, como pretendem os psicólogos, sinal do inconsciente, das latências, repressões, censuras, mas antes sinal de um mundo no qual a criança vive e dá ordens...Quase todo gesto infantil significa uma ordem e um sinal em um meio para o qual só raramente homens geniais descortinaram uma vista. (BENJAMIN, 1984, p.86)
Dessa observação, dois pontos fundamentais podem ser levantados: 1) a criança é imperativa e seu conhecimento do mundo se produz como posse; 2) a criança interage com o mundo pela ação, que envolve todos os sentidos, com acento no tátil e no visual.

Concebendo as linguagens como produtos culturais inventados pelos humanos para interagirem com o entorno, podemos afirmar que as crianças constroem os significados para sua atuação no mundo por meio das palavras e da escrita e, também, por meio da música, da dança e das representações visuais e cênicas Essas manifestações simbólicas são formas de representação e instrumentos de expressão e comunicação, que possibilitam a ação sobre o ambiente e a construção da identidade da criança.

Na Classe Especial - TGD há uma série de saberes culturais que devem ser conhecidos e de aspectos que ajudam a desenvolvê-los. Saberes fundamentais de uma cultura e aspectos que indicam e concretizam os vários ângulos do desenvolvimento infantil podem ser considerados como conteúdos educativos. As linguagens exercidas na Classe Especial - TGD oferecem às crianças uma série de instrumentos que fundamentarão aprendizados futuros.

Há, portanto, uma intencionalidade na articulação das vivências de linguagens que pressupõem objetivos imediatos e objetivos futuros, o que, de certa forma, aponta para um planejamento onde se observa as características do desenvolvimento que marcam os níveis diferentes de ensino.

Na Classe Especial - TGD, as convenções de cada linguagem são tratadas em situações de comunicação, pressupondo-se que o repertório das linguagens seja comum entre pessoas que compartilham a mesma cultura. A construção desses sistemas sígnicos mobiliza o fazer e a leitura com fins artísticos e estéticos. As linguagens são percebidas sensorialmente e objetivadas em diferentes organizações simbólicas.

O contato com as linguagens da Arte envolve recepção e produção de representações no exercício da expressividade movida pela imaginação. Quanto à recepção, sons, imagens e movimentos são percebidos pelas crianças muito antes de serem entendidos enquanto sistema de símbolos. A expressividade da criança é, inicialmente, exercício gestual de suas percepções, sem preocupação com a forma com o produto daquela expressão.

Nesse sentido, as linguagens artísticas aparecem como formas de apropriação do mundo, próximas da criança por serem inicialmente corporais e envolverem a imitação e o jogo, que são meios privilegiados de apropriação de relações e construção de conceitos pelas crianças. A ação expressa em gestos, palavras, desenhos e dramatizações está presente no contato das crianças com os outros e com o seu entorno, ou seja, há um repertório cultural partilhado na produção e recepção de representações com linguagens artísticas.
Arte na Classe Especial - TGD: um relato de experiência
O contato com as linguagens artísticas na Classe Especial - TGD fornece o vocabulário cultural necessário para a compreensão e representação de mundo pelas crianças. Essas as linguagens favorecem o estabelecimento da comunicação com o outro e a organização do próprio pensamento.

A partir do exposto, o tema para a intervenção foi escolhido, a releitura da obra “O vendedor de frutas”, de Tarsila Amaral. As atividades foram realizadas a partir da obra onde materiais foram selecionados e ofertados às crianças para que pudessem aprender e a explorar a temática de diversas formas.

O resultado das intervenções nos mostrou o quanto é importante trazer a Arte para a sala de aula, principalmente na Classe Especial - TGD, onde o professor precisa propiciar a criança o acesso à cultura erudita e letrada, ao conhecimento científico e sistematizado de uma forma instigante e interativa.

Com base em um planejamento bem organizado conseguimos realizar uma atividade com essa riqueza de interdisciplinaridade, trazendo para as crianças elementos presentes na natureza que elas desconheciam. A partir das atividades escolhidas foi possível explorar a oralidade, a imaginação, a criatividade, a ludicidade, o desenvolvimento e a coordenação motora das crianças, assim como o desenvolvimento social e a interação entre os mesmos, sendo isso de extrema importância para o desenvolvimento e a constituição do indivíduo.

Concebendo as linguagens como produtos culturais inventados pelos humanos para interagirem com o entorno, podemos afirmar que as crianças constroem os significados para sua atuação no mundo por meio das palavras e da escrita e, também, por meio da música, da dança e das representações visuais e cênicas Essas manifestações simbólicas são formas de representação e instrumentos de expressão e comunicação, que possibilitam a ação sobre o ambiente e a construção da identidade da criança.

Na Classe Especial - TGD há uma série de saberes culturais que devem ser conhecidos e de aspectos que ajudam a desenvolvê-los. Saberes fundamentais de uma cultura e aspectos que indicam e concretizam os vários ângulos do desenvolvimento infantil podem ser considerados como conteúdos educativos.

Trazer a Arte desta pintora brasileira, nascida em Capivari - São Paulo, proporcionou momentos de inteira participação e atividades diversificadas partindo da origem da obra e da autora. A obra escolhida mostra um vendedor de frutas em um barco e remete-nos há um mundo lírico do país tropical abundante em frutas e paisagens amenas. O pequeno barco que atravessa o oceano está repleto de símbolos como os frutos da terra, sinal de abundância desse imenso país banhado pelas luzes dos trópicos e, o grande chapéu é um símbolo do trabalho do campo. Esta obra faz uma síntese do Brasil que inclui a agricultura e a religião como a igreja que está atrás como plano de fundo. A paisagem litorânea representada pelos coqueiros e o mar, a luz intensa, trabalhador e papagaio todos eles eternos símbolos do tropicalismo.

O ensino da arte proporciona a criticidade, segundo Silva (2008, p. 46), “[...] estimula o desenvolvimento da criança e interage de forma lúdica e espontânea no cotidiano. Por meio do ensino com Arte, a criança desenvolve o prazer em aprender e a desenvolver seu cognitivo por meio do olhar observador”.

Enfatizamos, desta obra as frutas com toda a sua beleza, cor, textura, perfume, odor e sabor onde cada uma possui sua característica própria, um nome e uma história. Possibilitando a criança saber sobre esses elementos e a liberdade de escolher qual fruta o agrada mais. Assim, com as atividades foi possível trabalhar e estimular a curiosidade das crianças com as experiências com as frutas (melancia, melão, mamão, manga banana, uva, cereja, tangerina e outras) onde estas puderam explorar cada uma delas em sua textura, cor, sabor, forma, consistência etc, bem como, proporcionar às crianças autonomia na escolha da fruta que mais gostavam, onde podemos perceber que cada criança partiu do seu conceito individual, mostrando que não se deixaram influenciar pela opinião do outro, construindo assim, a sua própria.



As atividades em artes plásticas que envolvem os mais diferentes tipos de matérias indicam às crianças as possibilidades de transformação, de re-utilização e de construção de novos elementos, formas texturas etc. A relação que as crianças estabeleceram com os diferentes materiais se deu por meio da exploração sensorial, representações bidimensionais e construção de objetos tridimensionais que nasceram do contato com novos materiais, no fluir da imaginação e no contato com a obra de arte.

Para a vivência desta atividade, foi impressa a cópia da obra “O vendedor de Frutas” para as crianças observarem a beleza da pintura, as cores, as frutas retratadas e os traços presentes na mesma, como vemos na Figura 1, bem como o retrato da artista Tarsila do Amaral.
Figura 1- Vendedor de frutas de Tarsila do Amaral.



Fonte: Arquivo autora.
Para tornar a pintura ainda mais real, as frutas naturais foram levadas para a sala de aula, onde as crianças puderam manusear, tocar e sentir o perfume das frutas, como vemos na Figura 2. Quando da apresentação de cada fruta, foi permitido que as crianças tocassem na fruta, cheirassem e etc. Uma criança apresentou  receio em tocar a fruta, mas houve um incentivo por parte das professoras, para que a mesma pudesse experimentar esta experiência sem receios. Também durante a exploração das frutas pelas crianças e professoras, foi salientando a importância das frutas como peças fundamentais para uma alimentação saudável e equilibrada.
Figura 2 - Experimentações com as frutas.



Fonte: Arquivo autora.
Após a finalização dessa experiência de manuseio das frutas, foi montado sobre uma mesa as frutas, de forma que representasse a barca com as frutas, como na obra. Para a surpresa das professoras uma das crianças apontava para a obra “O vendedor de frutas” e para as frutas que estavam sobre a mesa, como querendo dizer algo. Foi, então, até a caixa de brinquedos e selecionou uma ave e colocou sobre as frutas. A criança percebeu a falta de um detalhe que havia passado imperceptível aos olhos das professoras, o que chamou a atenção das mesmas.

Posteriormente, a montagem das frutas, compondo a cena do vendedor de frutas, foi realizado uma fotografia das crianças junto as mesmas vestidos de chapéu de palha como na obra, como vemos na Figura 3.

Figura 3 – Representação do vendedor de frutas.



Fonte: Arquivo autora.
Retratado este momento foi oferecido as crianças tinta para que fizessem o mar, sobre o mar foi colado a figura das crianças com as frutas, representado o vendedor de frutas como vemos na Figura 4.
Figura 4 – Releitura da obra.



Fonte: Arquivo autora.

Com papel foi elaborado uma barca que foi colada também na pintura realizada pelas crianças compondo assim, a releitura da obra “O vendedor de frutas” como vemos na Figura 5.
Figura 5 – Elaboração e colagem da barca.



Fonte: Arquivo autora.
As crianças gostaram da experiência proporcionada pela atividade.  E, nós professoras enfatizamos que toda  a ação pedagógica é um ato educacional que evidencia a sua intencionalidade. E, se todas as ações que acontecem no estabelecimento educacional forem resultado do pensamento, do planejamento, das problematizações, dos debates e das avaliações, isto significa que tais ações explicitam as opções pedagógicas da instituição e seus profissionais, configurando uma pedagogia.
Considerações Finais
A Arte oferece para a criança materiais instigantes que podem levar a descobertas, conhecimentos, experimentação de possibilidades. Nos alunos com Transtornos Globais do Desenvolvimento, essas experimentações se tornam livres, pois não se espera um resultado, apenas se experimenta, sem se deter no significado. O que prevalece é o olhar e as mãos, em gestos espontâneos. Dessa aprendizagem podemos identificar elementos explicativos em Benjamin (1984) para o qual o desempenho infantil é guiado não pela “eternidade dos produtos”, mas simplesmente pelo instante do gesto.

Podemos afirmar, a partir destas intervenções que as crianças TGDs solicitam aos professores uma pedagogia sustentada nas relações, nas interações e em práticas educativas intencionalmente voltadas para suas experiências cotidianas e seus processos de aprendizagem no espaço coletivo, diferente de uma intencionalidade pedagógica voltada para resultados individualizados nas diferentes áreas do conhecimento.

Para evitar o risco de fazer da Classe Especial - TGD uma classe “elementar” simplificada, torna-se necessário reunir forças e investir numa classe que tenha como foco a criança e como opção pedagógica ofertar uma experiência de infância potente, diversificada, qualificada, aprofundada, complexificada, sistematizada, na qual a qualidade seja discutida e socialmente partilhada.

De acordo com o exposto na experiência com as crianças da Classe Especial - TGD, notamos a importância considerável do ensino da Arte possibilitando às crianças o acesso a essa linguagem, o contato com diferentes materiais, assim ampliando seus conhecimentos, trazendo situações onde as crianças pudessem criar, descobrir, investigar etc.

Para tal, o professor deve ter uma boa linguagem, uma atitude focada nessa faixa etária, percebendo que seu fazer da prática artística, estão ali construindo teorias, aguçando percepções. E, ainda mostrando que o professor tem em suas mãos a grande tarefa de apresentar para a criança o conteúdo sistematizado, que deve fomentar a imaginação, a criatividade e a ludicidade infantil.

Essa intervenção nos possibilitou uma experiência recompensadora, pois conseguimos organizar várias atividades significativas, que estimularam o desenvolvimento das crianças, tanto cultural, motor e intelectual. Onde nos possibilitou a observação da realidade, da prática que tanto discutimos na formação continuada dos professores das Classes TGDs.



Referências

BENJAMIN, Walter. Reflexões: a criança, o brinquedo, a educação. São Paulo: Summus, 1984.

______. Magia e técnica, arte e política: ensaios sobre literatura e história da cultura. São Paulo: Brasiliense, 1994. (Obras Escolhidas, v.1)

______. Rua de mão única. São Paulo: Brasiliense, 1995. (Obras Escolhidas II) BOSA, Cleonice; BAPTISTA, Cláudio Roberto. Autismo e educação: reflexões e propostas de intervenção. Porto Alegre: Artmed, 2002.

CHARCZUK, M.S.; FOLBERG, M.N. (Orgs.) Crianças Psicóticas e Autistas. A construção de uma escola. Porto Alegre: Editora Mediação, 2003.

JERUSALINSKY, Alfredo. A escolarização de crianças psicóticas. Estilos da clinica – Revista sobre a infância com problemas. São Paulo, Pré-Escola Terapêutica Lugar de Vida, do IPUSP, Ano 1, n°2, 1 semestre de 1997.

MARTINS, Mirian Celeste; PICOSQUE, Gisa; GUERRA, M. Terezinha Telles. Didática do Ensino da Arte: a língua do mundo: poetizar, fruir e conhecer arte. São Paulo: FDT, 1998.

SILVA, Aline Fernanda; SCHULTZ, Charlene; MACHADO, Ivonete Helena. A arte-educação no cotidiano escolar. 2008.Disponível em < http://www.pucpr.br/eventos/educere/educere2008/anais/pdf/548_640.pdf >. Acesso em: 16 de setembro de 2017.





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