William Wilson e o Universo Estreia: 19 de outubro, no Espaço sesc



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William Wilson e o Universo

Estreia: 19 de outubro, no Espaço SESC.

No filme Biutiful, o personagem de Javier Bardem diz que não quer morrer, pois não pode deixar seus filhos sozinhos. Sua amiga, uma espécie de guia espiritual, lhe diz então: “Acredita que é você quem cuida dos pequenos? Não seja ingênuo. O universo cuida deles.” Essa noção de que estamos sujeitos a princípios que transcendem nossas leis e desejos diz muito sobre as questões que o diretor Alexandre Rudáh pretende levantar com o espetáculo “William Wilson e o Universo”, que estreia dia 19 de outubro, às 20 horas, na Sala Multiuso do Espaço SESC.

Em julho de 2011, Alexandre Rudáh estava indo visitar uma locação para a filmagem de um dos vídeos que fazem parte do seu espetáculo, “Orlando ou um impulso de acompanhar os pássaros até o fim do mundo”, quando foi abordado por dois rapazes. Como estava na rua, não deixou de cogitar a possibilidade de assalto. Eles se apresentaram. Eram os irmãos Wanderson Postigo e Wilker Postigo. O mais estranho para o diretor é que eles agiam meio que em sincronismo, e pareciam ser um só. Eles trocaram contatos e se adicionaram ao Facebook, iniciando uma longa conversa sobre teatro.

– Percebi então, que tínhamos inúmeras afinidades intelectuais e artísticas. Quando o “Orlando” estreou em outubro de 2011, eu os convidei para assistir. Depois disso, eles me disseram que pretendiam montar um espetáculo a partir do conto William Wilson, de Edgar Allan Poe, e que gostariam que eu os dirigisse. Como não conhecia o trabalho deles em cena, os convidei para uma leitura do conto – que achei esquisitíssimo, mas muito próximo dos roteiros de Cisne Negro e Clube da Luta, dois filmes que me marcaram muito. Apesar da tradução, que não era nada fácil, fiquei admirado com a veemência e a paixão da leitura deles. – conta Rudáh.

Mas o diretor só aceitou o convite depois de reler o conto individualmente. Logo no início de novembro de 2011, começou a fazer uma nova tradução do material e a pesquisar tudo sobre a Poe. Descobrindo o site Edgar Allan Poe Society of Baltimore, e a partir dele, traçou uma biografia do autor.

– Foi um mergulho intenso e repleto de descobertas fascinantes, pois fui percebendo que o conto William Wilson apresenta diversos elementos autobiográficos. No meio dessa pesquisa, me lembrei que quando estive com Judith Malina, do The Living Theatre, em 2008, ela havia mencionado algo sobre “Eureka: Um poema em prosa”, último texto escrito por Poe, e que fala sobre a origem do universo. Só encontrei esse texto em inglês e, depois de lê-lo, resolvi traduzi-lo também, pois ele tem tudo a ver com as descobertas que os cientistas tem feito a respeito das nossas origens. – diz o diretor.

Assim nasceu a composição dramatúrgica “William Wilson e o Universo”, que mobiliza muitíssimo o diretor, na medida em que fala sobre os conflitos entre os desejos e a consciência do homem, desde a sua infância até a morte. Há também diversos detalhes autobiográficos do Poe, seu desejo de liberdade e autonomia, sua visceralidade, sua luta contra o alcoolismo e a busca pessoal por encontrar, através de uma comparação com a própria literatura, as origens do universo.

A COMPOSIÇÃO DRAMATÚRGICA 

William Wilson é o nome fictício utilizado por um homem que, ao se aproximar da morte, roga  de seus semelhantes a compreensão pelos atos que o levaram à ruína completa. Segundo William Wilson, seus infortúnios começaram na escola, onde conheceu um garoto que, além da aparência física, tinha o mesmo nome e data de nascimento que ele. A partir disso, Edgar Allan Poe desenvolve o tema do Doppelgänger, termo cunhado por Jean Paul Richter em 1796: assim designamos as pessoas que veem a si mesmas. O cuidado e a sutileza dessa narrativa estabelecem uma composição baseada na racionalidade, na lógica e em elementos do Fantástico, gênero literário caracterizado por situações que, distantes da realidade humana, inverossímeis ou imaginárias, são ligadas por uma causalidade de caráter mágico: pode ser que o duplo seja apenas uma representação da consciência de William Wilson. Tomas Mann, comparando William Wilson e O Duplo, de Fiódor Dostoiévski, disse que ambos exploram o tema de maneira similar, mas que Edgar Allan Poe lida com esse famoso motivo romântico por meio de um caminho muito mais profundo, no que diz respeito ao sentido moral e a sua resolução através da poética.

A composição dramatúrgica “William Wilson e o Universo” apresenta ainda recortes de Eureka: Um Poema em Prosa – ensaio filosófico e cosmológico, baseado na conferência O Universo. Publicada em 1848, a obra é o “canto do cisne” de Edgar Allan Poe. Segundo Einstein, o ensaio é uma bela execução de uma mente extraordinariamente independente. Através dele, o autor descreve sua concepção sobre a natureza do universo e discute a relação do homem com Deus, a quem ele compara com a figura de um autor. Edgar Allan Poe considerou Eureka como sendo seu trabalho mais importante. No contexto do espetáculo, os recortes de Eureka são apresentados como epílogo do personagem William Wilson, também revelando ao espectador uma visão poética e apaixonada sobre o destino do homem e do universo.

SOBRE A ENCENAÇÃO

A encenação de “William Wilson e o Universo” acontecerá como uma instalação cênica em três ambientes da Sala Multiuso, no Espaço SESC, e interligará literatura, filosofia, artes plásticas, internet, música e cinema. Cada ambiente da sala dará suporte a uma parte da narrativa, que é dividida em três: Prólogo, Plano Consequência e Epílogo. Como o personagem narra a sua própria história, haverá em cena uma câmera filmadora, projetores de imagens, gravuras de um storyboard, filmes e fotografias.

– Claro, esse espetáculo é também um desenvolvimento da linguagem que comecei a pesquisar em “Orlando ou um impulso de acompanhar os pássaros até o fim do mundo”, uma hibridização do teatro com o cinema. Os atores serão 100% responsáveis pelo acontecimento do espetáculo: manipularão os elementos da cenografia, operarão a luz, o som, os projetores e a câmera filmadora. – comenta Rudáh.

Os personagens são duas facetas de um mesmo personagem: aquele que é dominado pela consciência e aquele que se entrega imparcialmente aos seu desejos. É importante ressaltar que os dois atores são irmãos e estarão em cena se confrontando com essa situação.

– A princípio, eu os via como uma pessoa só, mas depois, ao longo processo, comecei a trabalhar com eles individualmente, para descobrir as particularidades de cada um, e também revelar isso a eles. Isso fala um pouco sobre o desenrolar do personagem ao longo da trama. Tem a ver com o distinguir-se, mesmo que para isso seja preciso aniquilar determinados aspectos daquilo somos em relação ao outro e a nós mesmos. O que o público verá em cena está intimamente ligado a essas descobertas. A composição final do personagem passa pelo encontro das nossas três visões sobre ele, pois fizemos inúmeros laboratórios bioenergéticos, onde também participei ativamente, sempre colocando em cheque as barreiras entre a ficção e a realidade. – conclui o diretor.

Pode parecer complexo, mas a cena que eles estão criando é bastante lúdica, poética e sugestiva. Para isso abriram mão de marcas cênicas realistas e investiram em ações permeadas por jogos teatrais, numa tentativa de abarcar o potencial artístico contido no inconsciente humano. O espectador será mergulhado em imagens e sons, que tem como objetivo favorecer um retorno a sua própria infância, adolescência e idade adulta.

A respeito da participação do ator Pedro Paulo Rangel no projeto, Alexandre Rudáh conta que “no Carnaval desse ano fui tomar um café com o Pepê, com quem havia trabalhado na novela Cama de Gato. Na ocasião, conversamos sobre o texto William Wilson e minhas ideias para a encenação. Ele ficou encantadíssimo com o projeto e manifestou o desejo de assistir os ensaios. Depois disso, tive a ideia de incorporar Eureka Um Poema em Prosa na composição dramatúrgica e convidei o Pepê para dar voz ao texto. Gravamos esse material no final de junho, numa só respiração. Pedro Paulo Rangel mostra mais uma vez que é um dos melhores atores brasileiros vivos, e sua interpretação confere ao epílogo do nosso espetáculo, a densidade e o lirismo com os quais Edgar Allan Poe rogava que sua obra final fosse acolhida.”

O DIRETOR

Graduado em Interpretação e Direção Teatral pela UNIRIO, Alexandre Rudáh foi diretor assistente da TV Globo, onde trabalhou nos programas A Grande Família, Cama de Gato e Amor & Sexo, Araguaia e Vídeo Game. Em 2005, adaptou e dirigiu o espetáculo “Entre”, de Jean Paul Sartre. Em 2007, dirigiu “A Moreninha”, de Tim Rescala; “Um Rei em Paquetá”, de João Guilherme Ripper; “Na Solidão dos Campos de Algodão”, de Bernard-Marie Koltès. Em 2009, dirigiu “Vestir os Nus”, de Luigi Pirandello. Em 2011, foi um dos autores e dramaturgos de “Auto Peças 2 - Peças de Encaixar”, direção de César Augusto. Também em 2011, adaptou e dirigiu “Orlando ou um impulso de acompanhar os pássaros até o fim do mundo”, da obra de Virgínia Wolf.



O ELENCO

Mestre em Artes Cênicas pela UNIRIO e graduado em Licenciatura Plena em Artes Cênicas pela Universidade Federal de Goiás, Wilker Postigo atuou como ator em diversos espetáculos apresentados em Goiânia, Salvador, Tocantins e Patos de Minas. Em 2009 dirigiu o espetáculo “Senhora Liberdade”.

Formado em Gestão de Beleza pela UEG, Estética e Cosmética (UVA), Pós-graduado em História Cultural pela (UFG) e Técnico de Caracterização (Cabeleireiro) em novelas da Rede Globo de Televisão (2011), Wanderson Postigo atuou como ator em diversos espetáculos apresentados em Goiânia e Patos de Minas. Atualmente dedica-se também a produção do seu primeiro CD como cantor.

FICHA TÉCNICA

Texto: Edgar Allan Poe | Direção, tradução e adaptação: Alexandre Rudáh | Elenco: Wanderson Postigo e Wilker Postigo | Voiceover: Pedro Paulo Rangel | Trilha sonora original: Pedro Tie | Cenário: Raymundo Pesine | Iluminação: Rodrigo Maciel e Renato Machado | Figurino e adereços: Bruno Cezario | Vídeos: concepção, direção e edição de Alexandre Rudáh e imagens de Joaquim Tomé | Gravuras: Eduardo Marinho | Preparação vocal: Wanderson Postigo | Visagismo: Wanderson Postigo e Wilker Postigo | Orientação corporal e instrutora de Gyrotonic®: Aline Arakaki | Fotos: Paula Kossatz | Design gráfico: Cristhianne Vassão | Assessoria de imprensa: Ney Motta | Release: Alexandre Rudáh e Ney Motta | Direção de produção: Fernanda Faria e Paloma Varejão – Fluxos Produções Artísticas | Realização: Alexandre Rudáh, Wanderson Postigo e Wilker Postigo.



SERVIÇO

William Wilson e o Universo | Texto: Edgar Allan Poe | Direção: Alexandre Rudáh | Elenco: Wanderson Postigo e Wilker Postigo | Sinopse: A peça é uma adaptação do conto William Wilson e do ensaio Eureka: Um poema em prosa de Edgar A. Poe, contando a história de um garoto que encontra um sósia em tudo parecidos, entra numa espiral de decadência moral e espiritual e após sucessivos fracassos e fugas decide dar fim ao seu perseguidor | Local: Espaço SESC (Sala Multiuso) – Rua Domingos Ferreira 160, Copacabana. | Informações: 2547-0156 | Capacidade de público: 60 lugares | Ingresso: R$ 20,00 (inteira) e R$ 5,00 (associados SESC Rio) | Funcionamento da Bilheteria: Terça a domingo, de 15h às 19h | Estreia: 19 de outubro às 20h | Dias e horários: 19 a 21/out. (sex a sab às 20h e dom às 18h); 26/out. (sex às 20h); 1 a 11/nov. (qui a sab às 20h e dom às 18h) | Classificação indicativa: 16 anos | Gênero: Drama | Duração: 80 minutos | Até 11 de novembro.



ATENDIMENTO À IMPRENSA

assessoria de imprensa Ney Motta

arte contemporânea comunicação ltda

21 8718-1965 | contato@neymotta.com.br



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