Zero Hora, 04/09/2004



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Zero Hora, 04/09/2004



Renato Mendonça

Na grande sala envidraçada, com vista para o Guaíba, espalhadas pelo chão, percussões variadas. No sofá, uma flauta. Na mesa, uma gaita de oito baixos fabricada em 1892. Do lado, um estojo de violão de sete cordas.



Daqui a pouco, esse será o cenário onde Naná Vasconcelos, César Michiles, Renato Borghetti e Yamandú Costa vão inventar música brasileira.
O quarteto está reunido desde quarta-feira na fazenda de Borghettinho para um plano que consegue ser, simultaneamente, ambicioso e despretensioso. Ambicioso porque este supergrupo pode ser uma das atrações do intercâmbio cultural Brasil-França, que será realizado em 2005. Argumentos não faltam: Naná já tocou com quase todos os grandes nomes da MPB, com Gato Barbieri, Pat Metheny e Egberto Gismonti. Borghettinho já dividiu palco com Ron Carter, Gonzagão, Sivuca e Stephane Grapelli. Yamandú é estrela ascendente, com talento comparado ao de Raphael Rabello. Segundo o produtor Capucho, o projeto já está pré-aprovado pelo Ministério da Cultura (MinC). Despretensioso porque o objetivo do quarteto é, antes de tudo, celebrar o prazer. – Não é aquilo de reunir virtuoses e cada um tocar mais rápido e mais alto que o outro e pararem juntos por coincidência – diz Naná, em frente a um pote com alface, colhidas na própria fazenda.

O nascimento do quarteto Extremo Som – não tem nada de coincidência. O pernambucano Naná queria aproximar Nordeste e Sul, e vieram os gaúchos Yamandú e Borghettinho. Para equilibrar, foi convocado outro pernambucano, Cesinha, que, antes dos 20 anos, já freqüentava os palcos do Lincoln Center e Carnegie Hall, em Nova York. A carne vai sendo picada para o carreteiro e eles trocam em miúdos o projeto Extremo Som.



Dream team à beira do Guaíba



Naná, Borghettinho, Yamandú e Cesinha, quatro dos maiores instrumentistas brasileiros, começam a ensaiar parceria musical histórica
– Começamos a tocar quando bati num gongo afinado na nota Ré – lembra Naná.

– Aproveitei o tom e comecei a tocar Prenda Minha na gaita – segue Borghettinho. – A gaita estava desafinada, mas seguimos tocando Luar do Sertão naturalmente.

– Não temos o café, mas já temos o bule – descreve Naná.

– O conteúdo do bule, o formato final ninguém sabe. Yamandú diz que todos tocam música regional, simplesmente brasileira:

– A gente não pensa no tipo de música. A gente toca.

– Se pensar, não toca – emenda Borghettinho.

– O bom será quando encontrarmos a simplicidade. O músico não tem de dar explicação, tem de dizer – diz Naná.

– Antes do carreteiro e do frango ensopado, o aperitivo dos quatro (o almoço na terra da música é às 16h) é tocar a primeira composição que criaram – uma mistura de chacarera, maracatu, som de pífaros e Jackson do Pandeiro. Borghettinho tira dois pés da cadeira do chão, se inclinando concentrado. Yamandú batuca nas cordas e faz caretas. Cesinha se preocupa com a bela melodia do Forro do Pontal. Naná emenda “s’il vous plait” com alguns balbucios e dá início a uma “grande bagunça”, como batizou Yamandú. No final, é como uma viagem ao Brasil com vista para o Guaíba. Alguém pergunta qual é o gênero musical e Cesinha resume:

– É da pesada.

Sentado à mesa, comendo carreteiro e ouvindo causos gaúchos, Naná lembra da vez em que Dorival Caymmi o convocou para acompanhá-lo num show. Naná perguntou quando seria o ensaio e a voz rouca de Dorival respondeu:

– Meu filho, eu já nasci ensaiado.

Era a impressão que se tinha ouvido Naná, Yamandú , Cesinha e Borghettinho tocando juntos.



renato.mendonça@zerohora.com.br

Jornal Olho Vivo, 20/05/2004

Naná Vasconcelos e Jorge Mautner realizam workshops e shows
Eventos promovidos pela Prefeitura têm convites limitados; inscrição deve ser feita antecipadamente


Da Redação

A Prefeitura de Guarulhos promoverá nos dias 23 e 25 de Maio workshops e apresentações musicais com Naná Vasconcelos e Jorge Mautner, respectivamente. Os eventos serão realizados nas dependências do Centro Municipal de Educação Adamastor. Para participar do workshops é necessário fazer inscrição na Secretaria de Cultura, nesta quinta ou sexta-feira, dia 20 e 21, das 9 às 17 horas. A entrada é gratuita.

Quem quiser participar deve se apressar, porque os convites são limitados. Estão sendo oferecidas 50 vagas para a atividade de Naná Vasconcelos, que acontece no domingo, dia 23, às 14 horas. E, para o workshop de terça-feira, dia 25, às 15 horas, com Jorge Mautner, foram colocadas à disposição trinta vagas.

SHOWS No domingo, dia 23, além do workshop, haverá, às 20 horas, show com o percussionista pernambucano Naná Vasconcelos, que mostrará um pouco da sua experiência acumulada em mais de 30 anos de carreira. Naná, que já gravou duas dezenas de discos, tocou ao lado de grandes nomes do cenário internacional, como Pat Metheny, B. B. King e Paul Simon, e teve participações especiais em trabalhos de Luiz Gonzaga e Milton Nascimento. Lançou neste ano o CD “Isto Vai Dar Repercussão”, em parceria com Itamar Assumpção.

Na terça-feira, dia 25 às 20 horas, será a vez de Jorge Mautner se apresentar no teatro do Centro Municipal de Educação Adamastor. Polêmica figura do meio artístico, Mautner é tido como uma pessoa bastante eclética. Além de músico e compositor, ele toca diversos instrumentos (violino, piano e bandolim), é escritor, cineasta e artista plástico. Em 1999, comemorou 40 anos de carreira com o álbum duplo “O Ser da Tempestade”, que reuniu sucessos como “Maracatu Atômico” e “Vampiro”.

As apresentações são gratuitas e os ingressos devem ser retirados uma hora antes do início dos shows, na bilheteria do Centro Municipal de Educação Adamastor (avenida Monteiro Lobato, 690 – Macedo). Mais informações pelo telefone 6443-2749.
Zero Hora, 28/08/2004

Extremo SOM






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